Domingo, 12 de Fevereiro de 2006

"Ladrão que rouba a ladrão tem cem anos de perdão..."

Normalmente gosto de utilizar o que vou dedilhando para matar pequenos momentos de amargura. De vez enquando encontramos palavras que queriamos que fossem nossas. Deparei com um texto na minha amiga LADRA DO BEM que nos faz reflectir.

 

"Explicitamente roubado de DIÁRIO EVOLUTIVO

 

METADES DA LARANJA?

 

Não há almas gêmeas. O que há é um esforço imenso para manter-se em par, de mãos dadas e olhando, muitas vezes, em direções opostas. O que há é um que sorri dali e outro que chora de cá ou vice-versa. O que há é suor e amor abnegado, predisposição para negar-se até um certo ponto, de fingir-se até um certo ponto, de criar um personagem e esperar que um dia ele se torne real. Almas gêmeas são para as novelas, onde há um escritor todo poderoso e absoluto que escala um elenco e lhe dá as falas. As nossas fala, aqui no mundo de fora, nunca podem ser escritas nem sequer ensaiadas. Não deixo de acreditar no amor e na felicidade por não acreditar nas almas gêmeas. Muito pelo contrário. Nunca acreditei no que é fácil demais, e encontrar uma alma gêmea seria muito fácil. Dá a impressão de um todo pronto, acabado e arrematado. A única diferença entre uma mercadoria qualquer e uma alma gêmea seria o valor monetário que a última não possui, pois encontra-la-iamos, se existisse, de graça e ao acaso. Pois veja: existem almas afins, como essas nossas almas que se uniram e estão assim há séculos, mas só afins, que ninguém é pedaço de ninguém, e nem tão pouco somos seres que vagam na incompletude em busca da peça que, encaixando-se em nós, nos trará a felicidade eterna. Deixemos essas fábulas para os filmes e novelas. Vamos, sim, fazer valer esse amor que se tem nas mãos ou, para os que não têm, em breve chegará. Esse "fazer valer" de que eu falo é trabalhar o aperto de uma mão na outra, os olhares que tantas vezes divergem, mas cujas diferenças são sempre o sal a mais para o crescimento mútuo.

Nada, nada mesmo se consegue sem esforços. Romance de graça - ou quase -, só mesmo na novela das seis."

 

Bem o meu roubo não seria perfeito sem uma frase da minha parceira do crime:

 

"Se você não encontrar a sua metade da laranja, não desanime...encontre a metade do limão, adicione açúcar, pinga e gelo e seja feliz!!!!!"

 

Afinal até ela tem algo de útil para ser roubado!

publicado por McClaymore às 01:09
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3 comentários:
De Anónimo a 14 de Fevereiro de 2006 às 15:29
Uma relação é feita a dois...De que serve adoçar o limão se ele nunca verá, numa laranja, a sua alma gémea? Para quê investir numa queda anunciada?

«Encostei-me a ti, sabendo bem que eras somente onda.
Sabendo bem que eras nuvem, depus a minha vida em ti.

Como sabia bem tudo isso, e dei-me ao teu destino frágil,
fiquei sem poder chorar, quando caí.»

(Cecília Meireles)

DVD ;)
DVD
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(mailto:cdias61@hotmail.com)
De Anónimo a 12 de Fevereiro de 2006 às 17:18
OLÁ CARÍSSIMO DE ALÉM-MAR. UM PRAZER SERVÍ-LO. VOLTE SEMPRE!leo
(http://WWW.EVOLUIREFLUIR.BLOGSPOT.COM)
(mailto:lesabacos@yahoo.com.br)
De Filipe a 15 de Janeiro de 2007 às 00:36
Concordo em absoluto, e ainda iria mais além. Acreditar o conceito de alma gémea é, para mim, uma atitude de absoluto comodismo, porque nos retira a responsabilidade de gerar boas acções, bastando esperar um dia encontrar a "salvação". Mais que isso, torna-se numa atitude incrivelmente egoísta, porque se acredita na "cara-metade", no pedaço de nós, naquele ou naquela que nos faz feliz, e isto gera por um lado responsabilidade no outro, e por outro é o início do vício de pedir para receber. A melhor maneira de receber é, sem dúvida, dar! Quantas vezes culpamos o outro por não nos dar o que achamos que nos é devido? E ainda mais... se um dia esse percurso comum tiver que acabar, as pessoas terão que lidar com a sensação de perda, que é terrível, porque apenas significa que atrás de todo o sonho idílico da ala gémea, estava uma terrível noção de posse, que é o início do fim de qualquer relação entre quem seja. Desculpem a extensão...

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