Quarta-feira, 27 de Abril de 2005

A teoria da conspiração…

Mad: “Para perguntas cretinas, respostas estúpidas…”

 

Apareceramm umas listas em posse da Maçonaria Portuguesa, que as guardou religiosamente durante 30 anos, a discussão que se instala na sociedade portuguesa é se as pessoas referenciadas nessa lista, são ou não antigos agentes da PIDE, correligionários da Legião Portuguesa ou informantes do ante 25 de Abril.

A polémica travada entre o Director da Torre o Tombo e o Grão-Mestre da Maçonaria é assaz interessante: são ou não antigos agentes, ou apenas simples moradas de pessoas que recebiam propaganda?

Como diz o José Júdice com algum cinismo é que os efeitos de serem ou não serem é irrelevante: “elas só serão reveladas, porque estão abrangidas pelas regras da confidencialidade daqui a 50 anos”.

O bizarro não é a tendência dos “portugueses darem palmadinhas nas costas e caírem nos braços um dos outros” , como ele diz mais à frente, o bizarro é ninguém perguntar é que uso a Maçonaria portuguesa deu durante 30 anos a esses documentos, ou para que fins foram utilizados?

É a própria Maçonaria que os põe a descoberto já que afirma a pés juntos que a lista é efectivamente de agentes do antigo regime.

Poderíamos continuar a falar de listas, e como diria o José Júdice temos ainda a lista da Dra. Catalina Pestana, que pelo andar da carruagem, deve ficar no segredo dos deuses ou da justiça, como preferirem, mais outros 30 anos, na esperança efémera de que sejam revelados os podres que partilha.

Bem, nada me espanta, já fizemos escola com o 4º segredo de Fátima, portanto já estamos habituados a estas andanças.

Na verdade deveríamos continuar à procura de listas, aquelas que foram piedosamente entregues pelo Partido Comunista ao KGB nos anos idos de 1974, e que eram compostas pelos arquivos da dita PIDE e que agora fazem parte do espólio dos arquivos dessa antiga polícia da extinta União Soviética e que nenhum político dos que estão no activo e daqueles que por lá passaram, ainda não pensou em pedir...

Perdoem-me a analogia, mas isto parece aquela desculpa muito “british”, dada por um museu, de que não devolve o espólio do antigo egípcio aos verdadeiros donos (os egípcios), porque em Londres o número de pessoas a visitar as múmias será sempre maior do que num museu do Cairo. Um dia destes tenho que utilizar esta desculpa para recuperar as “pedras” da barragem de Cabora Bassa ou o túmulo do Zé do Telhado…

Infelizmente a essas listas ninguém se refere, mais ainda, ninguém pergunta a ninguém para que serviram, nem nunca serão assacadas as respectivas responsabilidades da sua entrega.

Sobre o fim que levaram é obvio, basta ler a história do antigo Secretário Geral das Nações Unidas, o austríaco Kurt Waldheim, que durante anos foi manipulado pelo KGB e que finalmente se demitiu da presidência do seu país, quando estes revelaram ao mundo que ele tinha pertencido às tropas de choque SS do regime nazi.

Este tipo de situações não é novo, sempre fez parte da guerrilha que se instalou após a “Guerra Fria”.

As listas da Maçonaria cheiram obviamente a outra coisa que não os interesses nacionais. Para que preciso eu de umas listas que só passados 80 anos vou conseguir ler?

Este episódio, ganha pelo caricato, mas (in)felizmente não somos os únicos.

O senhor que se segue da política americana consegue ainda ser mais eficaz, o relatório de 900 páginas que serviu de impulso para a invasão do Iraque, ao revelar que os iraquianos tinham armazenados milhares de toneladas de agentes patológicos, que davam para destruir não sei quantas vezes este mísero planeta foi literalmente reduzido a 99 páginas, onde se afirma que afinal o regime iraquiano já não era detentor desse material, mas que no entanto os terroristas que actuam no Iraque estão prontos a utilizar armas químicas para atacar as forças da coligação…

Em é que ficamos?

Os EUA esqueceram-se entretanto de revelar quantas dessas toneladas foram vendidas por firmas americanas, mas aí só estavam a promover as trocas comerciais entre dois países, não é verdade?

Digam lá que eles não são tão bons como nós?

Tentei vender estas teorias ao Nuno Markl, foi recusado liminarmente por falta de provas.

publicado por McClaymore às 19:30
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