Terça-feira, 19 de Abril de 2005

LINUX VS MICROSOFT.

“O melhor espelho da admiração é a imitação…”

 

A minha relação amor/ódio com os computadores começou aos 18 anos. Na época gramei um cadeira que se chamava “Introdução à Programação”, onde por força das circunstancias fui obrigado a aprender FortranIV, Para quem não conheceu esta linguagem, explico apenas, que as disquetes eram uma cartolina onde o infeliz que queria por exemplo escrever uma simples soma de um digito, passava uma tarde inteira a perfurar pacientemente as ditas cartolinas. Era o rudimento dos computadores e as resmas de cartolinas perfuradas ainda hoje me atormentam em sonhos.

Como era um rapazinho evoluído e já tinha trabalhado numa empresa que tinha um IBM e utilizava umas disquetes enormes de 8” e uma cartolinas A4 com banda magnética para me dizerem o que se facturava na empresa, quando me atrevi a perguntar ao professor do cadeirão de FortranIV porque é que eu estava a aprender uma linguagem que nem no 3º mundo já se utilizava, a nota máxima que me passou a dar foi um dez e só não me reprovou porque ficava mal na fotografia…

Depois passados poucos anos apareceram os primeiros computadores pessoais, os Timex, uma maravilha, ligados a um gravador para ler umas cassetes que debitavam um ruído marciano e que depois de algumas tentativas goradas pelo meio, lá nos punham a jogar uns jogos fenomenais em frente de um televisor. Apareceram também os primeiros processadores de texto e as primeiras impressoras caseiras.

E o mundo lá foi evoluindo. Eu nem sequer sabia que o Bill Gates existia. As linguagens que existiam era poucas mas quem dava as cartas era a IBM, tanto em computadores pessoais como nos empresariais. A IBM estava em todas, era nos processadores de texto, era nas folhas de cálculo, era nas impressoras era nos monitores, enfim açambarcava o mercado com o seu símbolo e ninguém se queixava de nada, especialmente a IBM, um dos actos de sucesso era ter um IBM ou ter acções da IBM.

Lá havia uns malucos que compravam outras marcas, mas debalde, batíamos sempre à mesma porta.

Nestes entretantos apareceu um tipo que arranjou um produto que chamou de MS-DOS e que corria em qualquer computador pessoal e que permitia correr outros programas, inventou ainda uns processadores de texto e uma folhita de cálculo, juntou tudo e deu-lhe o nome de Windows.

A IBM nem reparou nele, mas entretanto foi perdendo o poder, deslumbrada com a sua posição e soberba deu-se ao luxo de ignorar o mercado e de perder a noção da realidade.

Não sem antes ter feito alguns estragos, comprou a Wang Tecnologies, refundiu a empresa aproveitou os seus melhores recursos e acabou com ela pura e simplesmente…

Segundo a IBM eram as leis do mercado, para alguns (como eu) era a tentativa de continuar a dominar o mercado.

Mas os dados estavam lançados e o inexorável rolar dos tempos e da tecnologia fizeram recuar esse gigante para uma prateleira, até que…

Até que descobriu como continuar a chatear: como o custo que pagava ao Bill Gates era muito caro (as companhias de hardware como a IBM, a HP e outros fabricantes de computadores pessoais pagam à Microsoft 5 dólares USA por cada licença de Windows que colocam nos nossos desktops ou portáteis, eu pago seguramente 20 vezes mais se o quiser comprar…), arranjaram uns gajos porretas que trabalham de graça, deram-lhes os códigos fonte do UNIX e eles arranjaram um sistema operativo que a rapaziada tratou logo de distribuir.

Bem o meu primeiro contacto com o invento a que deram o nome de LINUX não foi muito cativante, uns amigos meus que o distribuíam pela módica quantia de 1,5 € (o custo da gravação de 2 CD’s) juntamente com o hardware que vendiam, traziam-lhes alguns engulhos ou eram os modems que não funcionavam ou eram as placas gráficas que pura e simplesmente se recusavam a deixar transparecer qualquer informação no ecran.

Eu com isto não quero dizer que não tivesse os meus problemas com o WINDOWS e pelas mesmas razões, na verdade quando tentei meter na mesma board uma placa de vídeo e um modem do mesmo fabricante cheguei à brilhante conclusão, depois de ter migrado do Windows 98 para o XP, que os problemas que o LINUX tinha eram exactamente iguais aos meus e a solução foi fazer como eles, trocar de placa de modem…

Mais, os meus problemas com a Microsoft vinham detrás, a minha opinião era de que estavam meteoricamente a tomar conta do mercado e a comportar-se exactamente como a IBM.

Nessa altura equacionei mudar de sistema operativo, não o fiz por falta de tempo e paciência, para além disso após umas quantas correcções o XP lá se instalou e passou a funcionar.

Não obstante ter corrigido a sua rota, face à concorrência que se tem vindo a impor, a MICROSOFT ainda tem um longo caminho a percorrer, assim como o LINUX.

Bem, esta é a minha posição como utilizador doméstico, mas o meu post é uma resposta que eu quero dar a um artigo de um Jornal que eu admiro e leio com frequência: o Bits e Bytes, de 15 de Abril e que tem um artigo de um senhor chamado Ricardo Oliveira.

Começo pelo título: “Obtenha os factos – Frio, Frio, Frio”, nada melhor que publicidade a uma marca de congelados, de vodka ou de um bom vinho, servido bem gelado, para chamar a atenção do público português, se não estivesse inserido no Jornal em questão, pensaria que se tratava de uma nova campanha de marketing da COCA-COLA para lançar uma nova bebida.

Quanto à imagem dos pinguins do LINUX a usarem o símbolo da MICROSOFT para aportarem e fazerem de trampolim, tem apenas uma leitura: até os pinguins do LINUX precisam de boleia e de descansar. Pelos vistos para sobreviverem têm que usar a MICROSOFT como bóia no mar da informática (isso fica-lhes muito mal).

Quanto ao resto do artigo perde-se em conjecturas sobre o que levaram as empresas a migrar do sistema de LINUX para uma plataforma MICROSOFT deixando algumas frases soltas e inacabadas, inserindo outras no contexto que mais lhe convém, argumentando que a falta de assistência e os custos da mesma, nas chamadas plataformas abertas não é factor determinante para que se opte por outro produto (!?!). Acaba depois o artigo a falar em TCO (Total Cost of Ownership, custo total da propriedade) e em ROI (Return of Investiment, retorno após investimento).

Enquanto se deixou deambular pela parte técnica o caso até foi bem conduzido, e eventualmente as falhas da campanha da MICROSOFT até pareciam enormes, mas não resistiu, veio bater no ponto que considerava mais fraco e enganou-se.

Aquilo que deixa transparecer é que não foram feitas contas e que se optou por uma tecnologia mais cara e com suporte mais caro.

Que não foram feitas consultas ao mercado e que não se avaliou o impacto e os custos da nova implementação, mais grave ainda que foram deixadas de fora consultas a soluções ditas “sem custos” ou de licenciamento à borla.

A primeira lição que aprendi a sério na minha vida e que me foi dada por um gestor, é que “os mercados a nível mundial têm tendência a não comprar qualidade, mas sim preço. O mercado português é então impossível de controlar porque aqui para além do preço os portugueses compram descontos…”

Mas pode ficar descansado, foram consultados parceiros que vendem plataformas LINUX e que não são tão baratas como se diz, mais ainda porque são honestos e devido às exigências que fazíamos, nos aconselharam, para não termos um mas vários produtos para fazer o mesmo que o da MICROSOFT, a optarmos pela solução que menos problemas nos traria.

Para além disso foi com agrado saber que algum desses desenvolvimentos são feitos em Portugal e por portugueses, aguardamos a sua evolução e estamos atentos à sua implementação e custos da mesma e do respectivo produto.

Perdeu ainda a oportunidade para falar do aproveitamento dos recursos do hardware, fez mal se calhar aí até teria alguns argumentos.

Pelo que depreendo das suas palavras é obviamente um elemento ligado ao LINUX, e faz muito bem em defender a sua dama.

Mas quando passa da defesa para o fanatismo e para o fundamentalismo, recordo-lhe que não estamos a falar de fé e ainda não temos santos informáticos ou se preferir informáticos santos…

Como deve calcular nos vértices dos custos que sublinha está um que tem a ver com pessoal e a formação do mesmo (esqueceu-se dele), se opta-se pela plataforma livre, ficava escravo de um contrato de manutenção ou como opção teria que recrutar e formar um novo colaborador para me dar assistência no novo produto.

Utilizo uma plataforma LINUX que tem custos e que deve conhecer: o RED HAT e todas as vezes que tenho que instalar um servidor de testes vou com a corda ao pescoço pedir ao Director Financeiro que me autorize a verba e não lhe consigo explicar como é que eu pago em dois dias, para instalar um servidor LINUX, o mesmo que pago num mês ao colaborador que me instala um servidor MICROSOFT numas horas…

Depois de consultar o meu Director de Recursos Humanos e o Director Financeiro, é com agrado que lhe transmito a minha intenção de o contratar, a custo zero claro, porque infelizmente é a verba que disponho para contratações de pessoal ou então de continuar com a plataforma MICROSOFT e a trabalhar com a “prata da casa”.

Claro que lhe deixo algum tempo para cobrar pelos autógrafos que der. Um homem, mesmo do LINUX tem que ganhar algum dinheiro para sobreviver…(esta piada deixo-lhe a si o encargo de a explicar, o seu segundo sentido morre entre nós).

publicado por McClaymore às 14:08
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1 comentário:
De Anónimo a 28 de Junho de 2005 às 09:10
Theo de Raadt, um dos

pioneiros em defesa do

software livre e fundador de

projectos como OpenBSD e

OpenSSH, fez umas declarações

polémicas á revista Forbes nas

quais assegura que «toda a

gente está a usar o Linux e

ninguém se apercebe do mau que

é», acrescentando que os seus

partidários o defendem em vez

de dizerem: «Isto é lixo e

deveriamos arranjá-lo».EDUARDO
(http://outrasnoticias.blogs.sapo.pt/)
(mailto:aseduardo@sapo.pt)

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