Sexta-feira, 15 de Abril de 2005

"Ser português..."

“Victrix causa diis placuit, sed victa Catoni”

latim A causa vencedora agradou aos deuses, mas a vencida a Catão. Lucano, em Farsália, I, 128, alude à fidelidade de Catão a Pompeu, quando este foi derrotado por César.

Emprega-se para expressar apoio a uma causa, embora vencida.

 

Eu fui daqueles que leu nas sebentas da escola a história épica de Viriato e de Sertório, de pequenos nadas que elevavam a nossa débil nacionalidade. Fui habituado a ter orgulho na padeira de Aljubarrota, no sacrifício de Martim Moniz, na obscuridade de D. Fuas Roupinho. Nas Cortes de Lamego, desculpa-me Alexandre Herculano, mas parece que foram inventadas…

Nas campanhas de Mouzinho de Albuquerque, que como anti herói se suicidou, de D. Aleixo Corte-Real, que combateu os japoneses no longínquo Timor.

Ouvia falar de Gungunhana, que mesmo sendo um inimigo, o seu nome não foi riscado da história.

O desbravar de histórias fantásticas de Fernão Mendes Pinto, nas guerras nos confins do mar de Aden, em Afonso de Albuquerque, em lugares como Calecute ou Ormuz.

Nos inventos que deram outros horizontes à humanidade, no astrolábio dos decanos dos navegadores e na matemática com o Nónio de Pedro Nunes, de Gago Coutinho e de Sacadura Cabral.

O orgulho de falar nas campanhas de descobrimento da África profunda, de Hemergildo Capelo, de Roberto Ivens e Serpa Pinto.

Eu tinha orgulho em ser português e ensinavam-me onde ficava o ponto mais alto de Portugal: o monte Ramalau em Timor, os rios de Angola, de Moçambique, onde ficavam as Cataratas do Duque de Bragança, onde ficavam enterrados os desterrados, mesmo aqueles que se haviam desviado das leis dos homens, como o Zé do Telhado.

Eu gostava dos filmes que mesmo politicamente correctos ainda hoje me fazem rir.

Eu tinha orgulho nos meus escritores, nos meus poetas como Camões, nas anedotas do Bocage, nos líricos como Luísa Toddi.

Nos meus ladrões, nas minhas prostitutas, nos meus corsários, nos meus Papas e nas minhas raízes de judeu, de almorávida, de godo, de romano e de suevo ou de alano.

Eu tinha orgulho nos meus reis, nos meus heróis que me davam uma perspectiva de nacionalidade arrebatada.

Onde estás tu D. Sebastião? Onde está a Encíclica Geração, os meus trovadores, os meus navegadores que deram novas terras ao mundo?

Onde estão os que penhoravam as barbas para manter a sua palavra?

Um professor disse-me um dia que a história é sempre escrita pelos vencedores…

Nós perdemos a nossa história, onde é que perdemos a nossa guerra, em que campo sem nome é que fomos derrotados?

Mas o que mais me constrange é que metade dos nomes que eu invoco, são desconhecidos das gerações actuais e nada me leva a crer que os venham a aprender.

publicado por McClaymore às 12:42
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1 comentário:
De Anónimo a 15 de Abril de 2005 às 20:59
ola encontrei o seu blog em uma das minhas "andanças" pela net...muito interesante o que tu escreves.
Talvez esta Historia nao seja contada mas ao menos foi lembrada por alguns e eternizada de alguma forma.
ate a proxima vez que passarei por aqui.
FAL
(http://enquantomundogira.flog.oi.com,br)
(mailto:fal_bsb@yahoo.com.br)

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