Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004

"Conto de Natal - À espera de um Milagre..."

As cartas chegavam em catadupas, os gnomos, atarefados nos embrulhos e nos acabamentos das prendas, mal tinham tempo para respirar. Catalogavam, empilhavam por países, por temas e por pedidos.

O Pai Natal resmungava, este ano ia ser um ano difícil, nunca tinha havido tantos pedidos.

Ele era pedidos de bicicletas, de aviões, de carros de combate, de carros de corrida, de barcos, de submarinos, entremeados com pedidos bem incongruentes, na verdade havia alguns bem estranhos, nunca se vira nada assim.

O Pai Natal solicito e o melhor que pode lá foi distribuindo pelos sacos os embrulhos, verificando e arrumando, para não haver enganos.

Aproximou-se o grande dia. Lá ao longe, o sol da meia noite refulgia num manto de átomos de cor e claridade invernal, em ondas, que reflectiam nos flocos de neve branda que caiam em múltiplas espirais.

O trenó, cheio até mais não, dourado e brilhante, já tinha as renas aparelhadas, o último saco foi metido a custo. Era um saco enorme, verde e vermelho, quase cores de uma bandeira.

Ao estalar do chicote, aquele conjunto iniciou a sua grande tarefa. Era uma corrida contra o tempo e contra a lógica. Teriam que ser distribuídas todas as prendas que estavam no trenó.

O Pai Natal arfava, e a neve branca, teimosa, agarrava-se húmida e incomodativa confundindo-se com o branco das barbas.

O penúltimo saco foi entregue, faltavam poucos minutos para acabar tão árdua missão, o último saco teimosamente, o verde e vermelho, saltitava já sozinho no trenó.

O Pai Natal pegou nele para finalmente cumprir o sonho de alguns. Pegou na lista, por sinal a mais insólita que alguma vez lhe haviam mandado e começou pelo primeiro: “Zézinho – maioria absoluta”, com as luvas brancas, procurou no fundo saco e enfiou pela chaminé um pacote, parecia uma urna de votos, e ainda se lia em cirílico “Ucrânia”. Depois passou para o seguinte do enorme rol, o "Pedrinho – maioria absoluta", e repetiu a prenda que tinha dado ao José. Depois passou pela casa de um “Jorginho – um governo novo, da minha cor”, aqui deixou um cheque vitalício para a reforma, tranquila e serena do Jorginho e ainda um cartão do partido, novo, brilhante e com uma fotografia a cores, ele não o tinha pedido, mas ele tinha-se portado tão bem que o Pai Natal achou que esta prenda não era demais. Finalmente a penúltima prenda, para o “Paulinho – um lugar ao sol”, esta prenda foi a mais difícil, teve que usar imensa vaselina para entrar na chaminé do menino, mas por fim lá conseguiu enfiar o sol e um bronzeador para satisfazer os desejos mais íntimos do menino. O “Thunder” (Relâmpago em português) a rena aproveitou ainda para se aliviar na chaminé, o Pai Natal fez que não viu, já estava demasiado cansado para se arreliar com pormenores. Por entre palavras indecorosas que eu me esquivo aqui de repetir, o Pai Natal, deu conta que ainda lhe faltava uma prenda da lista: “Os portugueses – não queremos nada de material, mas por favor livra-nos deles”.

O Pai Natal aflito, bem procurou no fundo do saco, mas nada encontrou. Subiu rapidamente para o trenó, chicoteou as renas com afinco, rumou como um raio para a Via Láctea. Tinha que rapidamente encontrar-se com o Menino Jesus, para entregar a última prenda, precisava desesperadamente de um milagre, pior que isso, um grande milagre e o Pai Natal nunca tinha deixado uma prenda por entregar…

publicado por McClaymore às 17:34
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4 comentários:
De Anónimo a 27 de Dezembro de 2004 às 10:53
Olha, olha, não querias mais nada! Essa prenda o Pai Natal nunca vai conseguir entrgar por mais que a gente peça. :) Espero que o teu Natal tenha passado com paz e amor. Beijoslique
(http://mulher50a60.weblog.com.pt)
(mailto:lique2@sapo.pt)
De Anónimo a 25 de Dezembro de 2004 às 13:08
Rapaz,delicioso...
Com votos de continuação de um ano bom...
Boas bloguices, e que a inspiração nunca te falte...
Continua por perto, que aprecio muito a tua companhia.
Um beijo sentido...elisa...
(http://oserintemporal.blogspot.com)
(mailto:elilopes@netcabo.pt)
De Anónimo a 22 de Dezembro de 2004 às 13:52
XIIIII...essa prenda acho que vai ser difícil de encontrar.....(tenho uma prenda para ti lá no meu cantinho)
Beijocasinconfidente
</a>
(mailto:inconfidencias@sapo.pt)
De Anónimo a 22 de Dezembro de 2004 às 02:26
Gostei do conto.
Aproveito para te desejar um optimo Natal.Art Of Love
(http://bizaazul.blogspot.com)
(mailto:bizaazul@iol.pt)

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