Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004

"Razões de uma dissolução, razões para uma demissão..."

Deixei correr a tinta nos jornais, os rasgos de absoluta lucidez que tentaram explicar de todo a atitude do nosso Presidente. Eu não gostei deste 4 meses de desgoverno, mas dificilmente apoio a decisão dele.

 

As razões apontadas prendem-se com:

 

- Os problemas na colocação dos professores.

 

- A entrevista do Prof. Cavaco Silva.

 

- Os sinais dos empresários portugueses.

 

- A indigitação de um madeirense para o Governo da República (este Jardim mata-me).

 

- O episódio Prof. Marcelo.

 

- A carta de demissão do amante do tiro aos pombos.

 

- A demissão do amante do tiro aos pombos.

 

Acontece que dentro deste enquadramento, ainda não vi razão nenhuma a suportar a decisão do nosso Presidente. No tempo do Eng. Guterres demitiu-se um ministro em escândalo e ainda não tinham passado meia dúzia de meses de Governo, houve outro que nem chegou a tomar posse. A lavagem de roupa suja com o Eng. João Cravinho e a Dra. Manuela Arcanjo foi quanta se quis, o Presidente à data era o mesmo. Nenhum destes Governos era suportado por uma maioria. Não vi sinais de Belém a acenarem com uma qualquer dissolução.

Esse Presidente ainda pensa sozinho e a decisão de ordenar a dissolução da Assembleia da República, com uma maioria Parlamentar em exercício, não consta dos manuais de qualquer democracia, e foi só dele, pelo que o compasso de espera a que ele nos quer fazer crer só será completado com a reunião do Conselho de Estado, não pega. De duas, uma, fê-lo com plena consciência ou fê-lo por motivos menos claros. Nesse caso em concreto, se tal se vier a revelar, não fico com apreço pela atitude do Presidente, pelo contrário cola-o a uma imagem de vulgar politiquice a que deveria estar completamente alheio.

Bastava que o Presidente dissesse aos portugueses que não achou nenhuma piada ao tratamento que quiseram dar à demissão do Ministro Chaves, à sua substituição apressada, e a um Primeiro Ministro que não cancela uma viagem à Turquia num momento grave e de completo desnorteio do País, sendo essa atitude de uma irresponsabilidade tal, que demonstrava apenas uma vontade de cumprir calendário, não de cumprir um mandato.

Esta era a única razão válida que eu esperaria que ele me apresentasse para esta extemporânea dissolução, se outra for, espero bem que não, deixei de o ver como garante da nossa democracia, mas apenas como um dos filiados políticos de um vulgar partido.

Aconselho nesse caso e se tiver alguma réstia de dignidade, a de tomar a difícil decisão de se demitir.

O que me preocupa aqui não é tanto mais a posição pouco responsável do Primeiro Ministro, mas a pouca consistência da sua demissão. Para além disso por incrível que parece é um Presidente que demite, mas que exige ao mesmo tempo que esse mesmo governo demitido, leve a aprovação um Orçamento para outro qualquer governo, a desculpa que estão ainda em exercício é falsa. Não está aqui em causa se é um bom ou mau Orçamento. Não está em causa se vai ser o mesmo ou os mesmos partidos a governarem o País futuramente, o que está em causa é o de exigir o Presidente da República uma responsabilidade sobre um acto que está nitidamente ferido de incapacidade de ser posto em prática.

Aqui quem é o irresponsável. Julgo que ninguém. Somos todos nós que ano após ano elegemos uma data de tipos que põem em prática exercícios de governação completamente de terceiro mundo e baseados na premissa efectiva que nunca nos revoltaremos.

publicado por McClaymore às 00:12
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3 comentários:
De Anónimo a 4 de Dezembro de 2004 às 22:02
Nunca vi tanta gerra pelo poder,o povo indiferente nem lê a constituição. Eu decedi vou ensinar o povo quais os seus direitos.maria
(http://blogalvo.blogs.sapo.pt)
(mailto:mrobertson@sapo.pt)
De Anónimo a 3 de Dezembro de 2004 às 18:32
o problema é mesmo esse... o "povo" adoptou uma posição passiva de "deixa andar"... não estou a ver melhoras neste país, mas também não vejo ninguém com vontade de agir de forma a mudar as coisas... porque no fundo... as moscas é que mudam... a merda essa... é sempre a mesma!!!tartaruga
(http://aexplanada.blogs.sapo.pt)
(mailto:teresafilipa@sapo.pt)
De Anónimo a 3 de Dezembro de 2004 às 17:52
Cá pra mim o homem arrependeu-se foi de ter nomeado o PSL e agora resolveu voltar atrás... numa péssima altura, se já estávamos mal, vamos mesmo bater no fundo e 2005 vai ser de gritos e cabelos em pé! De qualquer modo seria... enfim, nem sei que diga!pandora
(http://pandora.blog.simplesnet.pt)
(mailto:pandora@simplesnet.pt)

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