Quarta-feira, 30 de Junho de 2004

Aprende bem as regras para saberes como infringi-las correctamente…

A nostalgia que nos acompanha leva a que cometamos algumas loucuras, queremos ser tudo, até compreendermos que nunca conseguiremos alcançar aquilo que desejamos. Os altruístas estarão a um passo de o conseguir mas falharão sempre a ultima etapa. Um meu professor, padre austero e estudioso, chamou-me um dia à atenção que no mundo temos muito a tendência para criar “ismos”, correntes de pensamento ou antologias que geralmente se transformam em metas ou espelhos de uma vida ou razão que nunca iremos compreender mas que gostaríamos de seguir. Normalmente os “ismos” são inofensivos, mas têm tendência a servir de base a uma legião de seguidores de um líder que se aproveita das fraquezas dos seus acólitos para lhes impor uma lobotomia estática que leva muitos à loucura e ao “seguidismo” exacerbado, à anulação e ao fraquejar das ideias próprias e pior ainda, leva a uma ditadura de minorias, que manipulam, se impõem aos nossos ideais, os substituem pela colectivização de um pensamento que muitas das vezes é oco e sem nexo. Nunca numa discussão filosófica com este professor, eu senti que ele como padre, ultrapassasse os seus limites como homem, dizia-me sempre que não gostava de meios termos e que aqueles que concordavam com tudo, eram tão bons ou piores do que aqueles que não sabiam com o que concordavam. O truque era manter sempre a chama da dúvida, manter sempre uma questão. Nunca lhe perguntei se duvidava da sua fé, do caminho que seguiu como padre, mas aposto que como homem que era, porque como padre não o poderia fazer, duvidou sempre, transmitiu ainda às pessoas que conviveram com ele, um sentido de vida pragmático, ajudou-nos a crescer e a ver o mundo em que vivíamos de outro modo, transmitiu ainda uma sensação de equilíbrio que normalmente nos homens de fé é pouco clara e muito tendenciosa. Não encontrei muitos como ele, mas encontrei alguns, os suficientes para me considerar um afortunado. Os meus ideais passam sempre por um acordo. Não discuto com ninguém se estão certos ou errados, questiono sempre a minha posição como a de alguém que já teve fé mas que precisa de redimir pecados obscuros. Fui criado num contexto católico mas na minha família sempre me ensinaram a ser tolerante e equilibrado, a respeitar os outros, mas sem dar a outra face. Sem sentir necessidade de me defender ou conquistar. Este equilíbrio tem uma tradução exacta numa palavra anglo-saxónica: “balance”, este termo traduz perfeitamente o ideal, julgo que não há palavra mais pura para definir a rectidão e a justiça do que por em dois pratos o mesmo peso e a mesma medida.

publicado por McClaymore às 18:16
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Terça-feira, 29 de Junho de 2004

Putilika, conjecturas marginais.

Pois é, eu bem resisti, mas este meu feitio!

Está na massa do meu sangue, não consigo ficar indiferente, não consigo calar, porque quem cala consente.

Não gosto de políticos em geral e apenas alguns ocupam dentro dos meus quadrantes alguma da minha simpatia.

Considero que a política é a mãe de todas as coisas, pena é que seja tão prostituta, eu queria dizer cara, mas saiu-me, e não peço desculpas por isso.

Os últimos acontecimentos que abalaram este país fazem certamente parte de uma novela que ainda está longe de terminar, isto é política, meus caros.

Reconheço que ultimamente não tenho ligado absolutamente nada às notícias que dão como certo o abandono do 1º Ministro para ir presidir a União Europeia, estou à espera das suas explicações, dou-lhe o benefício da dúvida. Só espero que a desculpa do atraso nada tenha a ver com o jogo que a equipa portuguesa vai ter nesta 4ª feira dia 30, e se tiver dou um conselho de amigo ao Dr. Durão, compre o árbitro, porque se Portugal perder contra a Holanda dificilmente conseguirá explicar aos portugueses, nessa altura a precisarem de alguém em quem descarregar a fúria, que mais uma vez vão ser abandonados à sua sorte.

Quero no entanto reconhecer que efectivamente se estivesse no seu lugar eu tinha aceite o cargo que lhe propuseram, não pelas honras, nem pelo dinheiro que certamente irá ganhar, sempre será melhor do que aturar os incompetentes que grassam no seu governo.

 

Isto não estaria completo se não divulgasse que o 1º Ministro aceitou às 13H00 de hoje dia 29, a candidatura ao cargo de Presidente da União Europeia. Não se esqueceu do árbitro pois não?!

Ficamos a aguardar ansiosamente as decisões do nosso Presidente da República. Teremos ou não eleições antecipadas?

Nota de rodapé

“Se não querem eleições antecipadas votem no nº de telemóvel do Dr. Santana Lopes, se querem eleições antecipadas votem no nº de telemóvel do Dr. Ferro Rodrigues, votem em branco no nº de telemóvel da Dra. Manuela Ferreira Leite”                              Custo por chamada, € 1,00 mais IVA, o dinheiro colectado reverterá em favor do Ministério das Finanças. “A sua opinião não interessa para nada, apenas nos interessa o seu dinheiro”

Ultimas Notícias*Ultimas Notícias*Ultimas Notícias*Ultimas Notícias

• TRIBUNAL EUROPEU


Suinicultores portugueses têm que devolver dinheiro à União Europeia.

Os produtores de porcos portugueses vão ter que restituir os 16,3 milhões de euros de ajudas recebidos em 1994 e 1998 por causa de uma crise de mercado, decretou, terça-feira, o Tribunal de Justiça das Comunidades Europeias

 

Resposta dos suinicultores portugueses.

“Estamos seguros que a União Europeia terá em conta que dentro de dias lhe iremos devolver um porco"

publicado por McClaymore às 14:55
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Segunda-feira, 28 de Junho de 2004

Eu sei que gostas de Pablo Neruda.

Morre lentamente...

Quem não viaja,

Quem não lê,

Quem não ouve música,

Quem não encontra graça em si mesmo.

Morre lentamente...

Quem destrói o seu amor-próprio,

Quem não se deixa ajudar.

Morre lentamente...

Quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajectos,

Quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece.

Morre lentamente...

Quem evita uma paixão,

Quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os "is" em detrimento de um redemoinho de emoções justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.

Morre lentamente...

Quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,

Quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho,

Quem não se permite pelo menos uma vez na vida fugir dos conselhos sensatos.

Quem morre, by Pablo Neruda

publicado por McClaymore às 15:44
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Blogando…

Não tenho paciência para criticas, nem para fazer de Prof. Marcelo aos domingos, quero apenas deixar aqui o meu apreço por dois locais que já estão inseridos nos meus links, um é o do Gifted Children e tem o delicioso nome de: A minha namorada, é obrigatório ler, serve de consolo para quem gosta de levar a vida com bom humor e sempre é menos caustico do que o meu. Quanto ao segundo o da minha amiga Paula, não pertence ao universo Sapo (passo a publicidade) no entanto também é obrigatório, para além de estar muito bem escrito, a diversidade linguística é espantosa, muito eclética e muito profunda esta minha amiga, o seu último trabalho: i miss him in my bed, gostaria de ter sido eu a escrevê-lo.


Portanto meus amigos bloguemos…

publicado por McClaymore às 12:43
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Domingo, 27 de Junho de 2004

This is a jungle, but I’m not Tarzan, and you, are you Jane?

Era uma vez um Lobo Mau que se dedicava a comer velhinhas indefesas, comia ainda as netas quando podia, de preferência maiores de 18 anos, este lobo era politicamente correcto. Também não gostava de se ver envolvido em processos judiciais, o advogado dele era pouco versátil só se dedicava a direito fiscal., defeitos da antiga profissão de contabilista. Entretanto a floresta onde vivia o Lobo foi invadida um dia por uns gritos estranhos e lancinantes. O Lobo Mau nem queria acreditar, o Tarzan, um gajo caucasiano, filho das melhores famílias, tinha-lhe invadido o território, ele bem o tinha marcado, mas o estupor não ligou nenhuma. Os gritos entretanto tinham-se transformado em gemidos de prazer e qual não foi o espanto do Lobo, ao virar da terceira árvore, a seguir ao riacho gorgolejante, sim, nem queria acreditar no que os seus potentes olhos viam: o Tarzan estava a comer o Capuchinho Vermelho…

O Lobo Mau engoliu em seco, engoliu o seu orgulho e tentou dialogar com o Tarzan:

- Desculpe, invadiu-me o território, para além disso o Sr. está nitidamente enganado, deveria Vossa Excelência estar a comer a Jane. O Capuchinho Vermelho, sou eu que o devo comer. Pelo menos é o que diz a história.

O Tarzan, olhou de soslaio para o Lobo Mau, parou momentaneamente de comer o Capuchinho, bateu no peito e gritou:            

- Mim Tarzan…Aeeeiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiuuuuuuuuuu
- Mim Jane – disse o Capuchinho – continua, eu estava a gostar imenso...

O Lobo ainda tentou pedir ajuda ao Príncipe, mas ele deu-lhe uma desculpa qualquer sobre um sapato de cristal que a Branca de Neve lhe tinha partido e baldou-se. Pediu ajuda à Quercus, mas os gajos estavam chateados com os da GreenPeace e não podiam ajudar, para além disso o Lobo Mau não pagava as quotas, nem tinha votado neles nas últimas eleições. O Lobo Mau ainda pensou em vestir-se de ovelha, mas desistiu.

 

- Que se lixe – disse baixinho o Lobo – vou mas é comer a Avózinha.

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publicado por McClaymore às 01:38
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Manual do Amante Perfeito ou do Cínico Latino, segundo Dante.

Regra nº 1 - Nunca, mas nunca, caias na asneira de te apaixonar.

Regra nº 2 - Nunca deixes que ela perceba que estás apaixonado.

Regra nº 3 - Nunca lhe digas que estás apaixonado.

Regra nº 4 - Jamais penses que estás apaixonado.

Regra nº 5 - Não penses, infringes a regra nº 4.

Regra nº 6 - Deixa sempre que seja ela a apaixonar-se por ti.

Regra nº 7 - Nunca faças promessas.

Regra nº 8 - Nunca cumpras promessas.

Regra nº 9 - Nunca lhe digas que a amas.

Regra nº10 - Infringe todas as regras, excepto as anteriores.

publicado por McClaymore às 00:30
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