Quarta-feira, 29 de Dezembro de 2004

Turismo ambiental e de mau gosto...

Há muitas coisas que me incomodam neste País de faz de conta, uma delas é a (in)cultura de certa faixa de personagens que se avistam nos telejornais e as reportagens assaz caricatas que alguns dos canais da nossa santa terrinha nos brindam. Algures num aeroporto português:

Repórter: “- Vai para a Tailândia e não está preocupada?”

Jovem pseudo-tia: “- Estava. Mas recebi uma chamada no telemóvel, que dizia para não me preocupar. Então deixei de estar preocupada...”

Repórter: “- Mas sabe que vai encontrar a zona toda destruída?”

Jovem pseudo-tia: “- Pois, mas assim vou ver a paisagem mais natural…”

A repórter teve aqui o cuidado de infligir um pouco de auto censura, a marca do telemóvel ficou por desvendar e a do fato de banho também.

Palavras para quê?!  

publicado por McClaymore às 14:32
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|
Terça-feira, 28 de Dezembro de 2004

Cultura.

Vale a pena recordar a vida, a obra e as palavras de um Homem que imaginou a Grande Onda…

Katsushika Hokusai nasceu em 1760, em Edo, sendo aparentemente filho de um artesão. Hokusai é um dos grandes mestres da gravura japonesa, e um dos grandes génios criadores e inovadores de todos os tempos. Sendo o mais célebre dos artistas japoneses, e tendo tido uma profunda influência na arte ocidental, nomeadamente no movimento impressionista, ele é, porém, pouco japonês no seu carácter e na sua obra, em particular pela importância que teve na sua obra a influência daqueles poucos aspectos da arte europeia conhecidos então no Japão. A obra de Hokusai estende-se ao longo de um período notavelmente longo, e, caracteristicamente, atingiu o seu auge já no final da longa vida do artista. Tendo iniciado aos catorze anos a aprendizagem como gravador, entrou, aos dezoito anos, no estúdio de Katsukawa Shunsho, importante autor de gravuras Kabuki. No início do ano seguinte, publicou os seus primeiros trabalhos, gravuras de actores, sob o nome Shunro. Hokusai produziu notáveis gravuras durante a década de 1780, influenciado por Shigemasa e Kiyonaga, mas os seus primeiros trabalhos importantes foram efectuados, sob o nome Kako em meados da década seguinte. Em 1797 adoptou o nome Hokusai, e iniciou o seu primeiro período importante de produção de gravuras e livros. Hokusai foi atraído por influências artísticas das mais diversas, que incluem a arte ocidental, que começava então a ser divulgada a partir do entreposto de Nagasaki, e chinesa. Estas influências tornam-no um artista cujo estilo se afasta do habitual (Ukiyo-e), ao mesmo tempo que alarga a sua universalidade.As suas maiores produções são os conjuntos de imagens de "Lugares Famosos de Edo", em 1800, os quinze livros de esboços publicados sob o título genérico de Manga a partir de 1814, e as duas séries de vistas do Monte Fuji, as "36 vistas do Monte Fuji", onde se inclui a Kanagawa-oki nami-ura (A grande onda de Kanagawa) do início da década de 1830, e os três volumes das "Cem vistas do Monte Fuji", de 1834-35. A energia de Hokusai era prodigiosa e a ele se deve, em grande parte, o estabelecimento da gravura paisagística e da gravura de flores e pássaros (kacho-e) como géneros autónomos e até mesmo dominantes das gravuras Ukiyo-e. A capacidade criativa de Hokusai está intimamente ligada à sua irrequietude, bem diferente do usual no Japão, e que pode ser ilustrada pelo impressionante número de nomes que utilizou ao longo da sua carreira (vinte seis) e pelo número de diferentes moradas que conheceu durante a vida (noventa e três). A sua veia artística ajudou-o a superar algumas das adversidades da vida, quase aos setenta e cinco anos, mesmo desgastado pela pobreza, o filho mais velho gastou toda a sua fortuna, levaram-no a recomeçar tudo de novo. É esta inquietação permanente que fazem dele uma figura ímpar na história da arte universal, e da gravura japonesa, em particular. Com essa idade, Hokusai resumiu assim, no prefácio às "Cem Vistas do Monte Fuji", a sua vida e o seu programa para o futuro:

 

"Desde os cinco anos de idade que tive a mania de desenhar a forma das coisas. Desde os cinquenta anos de idade que produzi um número razoável de desenhos, mas, no entanto, tudo o que fiz até aos setenta anos não é realmente digno de menção. Pelos setenta e dois anos de idade apreendi finalmente algo da verdadeira qualidade das aves, animais, insectos e peixes, e da natureza vital das plantas e árvores. Assim, aos oitenta anos de idade deverei ter já feito algum progresso, aos noventa deverei ter penetrado ainda mais no mais fundo sentido das coisas, aos cem anos de idade deverei ter-me tornado realmente maravilhoso, e aos cento e dez anos, cada ponto, cada linha que eu desenhe deverá possuir seguramente uma vida própria. Peço apenas que os homens de vida suficientemente longa tenham o cuidado de verificar a verdade das minhas palavras."

publicado por McClaymore às 00:17
link do post | comentar | favorito
|
Segunda-feira, 27 de Dezembro de 2004

Tsunami

Tsunami.jpg

Katsushika Hokusai (1760-1849) - Kanagawa-oki nami-ura (A grande onda de Kanagawa)


 

Nunca nos sentimos tão pequenos em face da força bruta da natureza, é pena que nunca mais aprendamos a lição...

A beleza da imagem só nos relembra a fragilidade das nossas vidas e das nossas efémeras construções.

Somos uma gota neste oceano terrível de emoções, esta quadra nunca mais será a mesma, é bom que não o esqueçamos.

 

In memória daqueles que pereceram em 26Dec2004.

publicado por McClaymore às 16:36
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Terça-feira, 21 de Dezembro de 2004

"Conto de Natal - À espera de um Milagre..."

As cartas chegavam em catadupas, os gnomos, atarefados nos embrulhos e nos acabamentos das prendas, mal tinham tempo para respirar. Catalogavam, empilhavam por países, por temas e por pedidos.

O Pai Natal resmungava, este ano ia ser um ano difícil, nunca tinha havido tantos pedidos.

Ele era pedidos de bicicletas, de aviões, de carros de combate, de carros de corrida, de barcos, de submarinos, entremeados com pedidos bem incongruentes, na verdade havia alguns bem estranhos, nunca se vira nada assim.

O Pai Natal solicito e o melhor que pode lá foi distribuindo pelos sacos os embrulhos, verificando e arrumando, para não haver enganos.

Aproximou-se o grande dia. Lá ao longe, o sol da meia noite refulgia num manto de átomos de cor e claridade invernal, em ondas, que reflectiam nos flocos de neve branda que caiam em múltiplas espirais.

O trenó, cheio até mais não, dourado e brilhante, já tinha as renas aparelhadas, o último saco foi metido a custo. Era um saco enorme, verde e vermelho, quase cores de uma bandeira.

Ao estalar do chicote, aquele conjunto iniciou a sua grande tarefa. Era uma corrida contra o tempo e contra a lógica. Teriam que ser distribuídas todas as prendas que estavam no trenó.

O Pai Natal arfava, e a neve branca, teimosa, agarrava-se húmida e incomodativa confundindo-se com o branco das barbas.

O penúltimo saco foi entregue, faltavam poucos minutos para acabar tão árdua missão, o último saco teimosamente, o verde e vermelho, saltitava já sozinho no trenó.

O Pai Natal pegou nele para finalmente cumprir o sonho de alguns. Pegou na lista, por sinal a mais insólita que alguma vez lhe haviam mandado e começou pelo primeiro: “Zézinho – maioria absoluta”, com as luvas brancas, procurou no fundo saco e enfiou pela chaminé um pacote, parecia uma urna de votos, e ainda se lia em cirílico “Ucrânia”. Depois passou para o seguinte do enorme rol, o "Pedrinho – maioria absoluta", e repetiu a prenda que tinha dado ao José. Depois passou pela casa de um “Jorginho – um governo novo, da minha cor”, aqui deixou um cheque vitalício para a reforma, tranquila e serena do Jorginho e ainda um cartão do partido, novo, brilhante e com uma fotografia a cores, ele não o tinha pedido, mas ele tinha-se portado tão bem que o Pai Natal achou que esta prenda não era demais. Finalmente a penúltima prenda, para o “Paulinho – um lugar ao sol”, esta prenda foi a mais difícil, teve que usar imensa vaselina para entrar na chaminé do menino, mas por fim lá conseguiu enfiar o sol e um bronzeador para satisfazer os desejos mais íntimos do menino. O “Thunder” (Relâmpago em português) a rena aproveitou ainda para se aliviar na chaminé, o Pai Natal fez que não viu, já estava demasiado cansado para se arreliar com pormenores. Por entre palavras indecorosas que eu me esquivo aqui de repetir, o Pai Natal, deu conta que ainda lhe faltava uma prenda da lista: “Os portugueses – não queremos nada de material, mas por favor livra-nos deles”.

O Pai Natal aflito, bem procurou no fundo do saco, mas nada encontrou. Subiu rapidamente para o trenó, chicoteou as renas com afinco, rumou como um raio para a Via Láctea. Tinha que rapidamente encontrar-se com o Menino Jesus, para entregar a última prenda, precisava desesperadamente de um milagre, pior que isso, um grande milagre e o Pai Natal nunca tinha deixado uma prenda por entregar…

publicado por McClaymore às 17:34
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito
|
Segunda-feira, 20 de Dezembro de 2004

O Menino.

A neve derretia ao tocar a terra, lá ao longe, a tempestade corria, ribombava noutros lugares, pairava sobre os cumes como asas negras de tormenta.

Lá dentro, a Senhora, o S. José, o Burro e a Vaca, os três Reis Magos, adoravam as palhinhas nuas, ainda se sentia o quente do Menino, este travesso, ou mão travessa, tinha-o levado a passear.

Talvez voltasse mais tarde, muito mais tarde, constipado…

Eu pelo menos imaginei-o a brincar alegre, por entre os arbustos que se espraiavam no santuário.

E quando voltasse, a mãe e o pai dar-lhe-iam uma pequena reprimenda, perguntariam por onde tinha andado e ele cansado da brincadeira, adormeceria de novo, exausto, ficaria no seu lugar eternamente…

Ainda lá pensei voltar no outro dia, mas pensando bem, ele voltou…

publicado por McClaymore às 23:48
link do post | comentar | favorito
|
Quarta-feira, 15 de Dezembro de 2004

Ao espírito de Natal...

Para me penitenciar, do meu mau feitio claro, prometo que a partir de agora vou tentar que o meu fel não se sinta mais uma vez nas minhas palavras. Para além disso a minha saga atrás de causas perdidas levaram a que o meu blog se transformasse num pasquim político, a resposta a perguntas como esta: “Oh pá, mas afinal isto não é um blog familiar?”, levavam-me a mudar de rumo. E para me penitenciar, vou juntar uns quantos links de blogs que devem ser visitados: onde escreve a Dra. Ana Gomes e outros autores que devem ser lidos, é o Causa Nossa. Quero ainda deixar um link para o 100 Tretas, o Pensar Possibilidades e o Blue Shell. Prometi a alguém, meu amigo que lhe dedicava um conto de Natal, vou fazê-lo, para a minha redenção final. Desculpem apenas aqueles que acham que isto me transforma num animal politicamente correcto, não é nada disso, mas a quadra que se avizinha leva a que façamos as pazes e mesmo que nos custe, começam sempre por nós.

publicado por McClaymore às 13:12
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2004

Erratas, erráticas…

Relativamente ao meu "post" anterior, deixo aqui apenas duas pequenas reflexões. Em primeiro, mau grado as minhas tentativas de não o encontrar, o local onde a Dra. Ana Gomes escreve, esbarrei literalmente com ele. Em segundo o que o Prof. Vital Moreira intitula de “Oxímoro”, deveria ser “Oximoro”, mas para ser mais correcto ainda, do grego “Oxymorun” s. m., “figura de retórica que consiste em associar palavras de sentido contraditório como inocente culpa.”

publicado por McClaymore às 18:37
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

"Ad argumentandum tantum."

latim "Somente para argumentar. "

 

Não suporto injustiças.

Ao tentar enviar um e-mail ao Prof. Vital Moreira, sobre o seu “post”: Oxímoro - Causa Nossa, deparei-me com um pequeno problema técnico, o seu e-mail só me permite escrever 300 palavras, parca coisa para as perguntas que quero ver respondidas, portanto para tornear esses efeitos, enviei um e-mail para o Prof., que espero que o leia e humildemente pedi ao JPP que me servisse de padrinho.

 

O e-mail que enviei:

 

Exmo. Sr. Prof.

Julgo que o seu "post", esse sim está ferido de uma certa "inconstitucionalidade". Como o seu mail só me permite 300 palavras, vou responder num "post" em...  (passo a publicidade). Peço desculpa ao JPP mas julgo que será o único que poderá dirimir esta contenda.

 

As respostas que eu preciso:

 

Julgo que é o mesmo que me dizer que a partir do momento que me demitem eu tenho que me manter ao leme, mesmo não concordando com o comandante?

O homem manda-me afundar com o navio e o comandante ainda é ele…Bonito.

Na nossa Constituição? Pelo menos, que eu saiba, ainda não conseguiram riscar aquela parte das liberdades individuais, ou já?

Aquilo Exmo. Sr. Prof. quer dizer é que: devido à trapalhada "constitucional" que o PR arranjou e a atitude do SL fosse a de se demitir, o PR tinha que a aceitar e nomear outro PM?

Claro que aqui o PR estava comprometido e o seu lugar também, ou então tinha que fazer como num consulado romano e transformar a presidência numa tirania… (Isto ainda é inconstitucional, não é?)

Eu não gosto do SL, gabo-lhe a estoicidade apenas de se manter no lugar.

Eu não o faria independentemente da "inconstitucionalidade" da coisa.

Claro que o PR, podia sempre decretar que o SL ficasse preso à cadeira de PM? Podia? Pode?

O melhor ainda está para vir, imagine o Sr. Prof. que ao contrário daquilo que já pensam os seus pares, e as favas ainda não estão contadas, ganha outra vez o SL (com coligação, claro, só para tornar o caso mais difícil) e faço a pergunta que o meu amigo Binoc e muitos portugueses gostariam de ver respondida: e se o SL, nomear exactamente o mesmo governo, o que fará o PR? "Dissolve-se"?

Grato pela sua paciência,

Aguardado ansiosamente pelas suas respostas,

McClaymore.

publicado por McClaymore às 15:11
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

“Feci quod potui, faciant meliora potentes.”

latim “Fiz o que pude, façam melhor os que puderem.”

Quando o Eng. Guterres ganhou as eleições, as expectativas geradas no povo português foram enormes.

Em primeiro lugar pelo estilo de governação do seu antecessor, o Prof. Cavaco Silva, ter tomado as medidas impopulares que tomou, efectivamente governou com um sentido demasiado pragmático e sobretudo bastante economicista, o que levou a que o seu mandato e os seus objectivos não fossem cumpridos.

Critiquei sempre todo e qualquer modelo económico que se baseie num estilo macro económico, porque, ou as pessoas que o estão a aplicar não compreendem a nossa economia ou estão demasiado apegados a um estilo que não se coaduna com a nossa triste realidade.

Ao inverter os campos da economia e da reforma fiscal, que eram letra desde o tempo de Salazar e foram continuamente aplicados nos governos seguintes, o Prof. Cavaco Silva teve o condão de mandar a “pedrada no charco”, necessária para que todo o nosso sistema se renovasse e entrasse no bom caminho. Efectivamente critiquei os métodos do Prof. Cavaco Silva, não pela justeza da sua aplicação, mas pela forma. Poderia, sem por em causa os seus objectivos, que não os políticos, aplicar o seu modelo, com calma e parcimónia. Não o fez, quis mudar o sistema demasiado rapidamente, mas fê-lo tão rapidamente que os que o apoiavam, sentiram que se se mantivesse, sairiam com as suas imagens “políticas” chamuscadas.

O Prof. Cavaco Silva teve ainda o condão de começar uma reforma fiscal que de certo modo não interessava a certos sectores. Esse sistema enraizado e bolorento que após a sua saída regrediu e voltou ao início. Por incrível que pareça depois dele nunca mais houve governo que tivesse a coragem de a continuar. Bem pelo contrário, voltamos à estaca zero, voltamos ao modelo ante 25 de Abril. Os ditos socialistas, que depois dele tomaram de assalto o poder, regrediram no tempo e nas reformas. Elas eram mais do que necessárias e infelizmente passados estes anos todos continuamos exactamente no mesmo caminho: os sistemas fiscal e económico são retrógrados e terceiro mundistas, não devemos aqui alienar o papel do Eng. José Sócrates.

Após seis meses de governação do Eng. António Guterres, almocei com um amigo, cujo “clube de futebol” é o Partido Socialista (sic), e que durante o almoço me inquiriu sobre o meu estado de satisfação:

“- Então deve estar contente? Agora o seu inimigo de estimação, o Cavaco, já lá não está. Vai ver agora com o Eng., isto anda para a frente.”

Limitei-me a sorrir e a retorquir:

“- Sabe perfeitamente que apenas critiquei o Prof. Cavaco Silva, não pelas medidas, mas pela rapidez com que as queria aplicar. Não aceito que medidas de fundo sejam aplicadas sem se satisfazer outras. O princípio dos vasos comunicantes é aplicado em economia também. Ao esvaziarmos um teremos que encher rapidamente os outros na mesma proporção. Mas desde já lhe digo, passaram seis meses, vamos deixar passar outros seis, aí julgo que pelo rumo que isto está a tomar ainda vamos os dois estar aqui a almoçar e a dizer: volta Cavaco, estás perdoado.”

Bem esse meu amigo almoçou comigo passados meses, já não sei quantos, pagou ele, por vergonha talvez, e não tocou no tema que tínhamos discutido anteriormente, pela cara dele devia custar-lhe engolir aquela refeição. Eu educadamente não toquei no assunto, já me bastava ter razão.  

O que me incomoda aqui na verdade não é propriamente ter ou não ter razão, é saber que com ou sem ela, os governos posteriores aos do Prof. Cavaco Silva, mesmo os do partido dele, e usando muitas vezes o nome dele, o fazem em vão.

Eu sei que muitos dos sectores da sociedade portuguesa, inclusive já vi o Pacheco Pereira a fazê-lo, o querem de volta, mas acham que o homem depois do que passou nos quer a nós? Acho até que o Salazar se ressuscitasse agora, tornava a morrer outra vez…de riso claro.

Vamos ficar expectantes com o próximo governo. Se ganhar o Eng. Sócrates (eu já me estou a ver como o alentejano “otro engenhero”), espero que tenha a coragem de fazer alguma coisa e tenha a lição bem estudada. Quanto ao Santana, não quero sequer imaginar o seu regresso, é um quadro negro que agora não me interessa sequer extrapolar…

publicado por McClaymore às 12:58
link do post | comentar | favorito
|
Domingo, 12 de Dezembro de 2004

“A Oeste nada de novo…”

Eu esperei pacientemente que o Presidente desta República das Bananas, me elucidasse sobre a decisão de dissolver a Assembleia desta República. Fê-lo de uma maneira ligeira e apoiado num pseudo Conselho, (terá sido o da Revolução?) e mantendo uma carga de incerteza sobre o futuro do Governo que, segundo ele ficaria preso a um mero encargo de gestão. Ao apoiar-se nesse dito Conselho, em que os seus apaniguados estavam em maioria só veio infelizmente demonstrar que as cartas estavam marcadas desde o princípio e na base “de quem parte e reparte…”

O imbróglio constitucional que arranjou teria sido mais grave se o 1º Ministro dentro dos direitos que lhe são conferidos se demitisse. Atenção, quem se demitiu foi o governo, não o PM, esse estoicamente aguentou-se. Ao contrário do Prof. Vital Moreira (ilustre constitucionalista da família socialista), que afirmou que o 1º Ministro nunca o poderia fazer, pura demagogia, não lhes convêm, isso sim, ele é possível, é um direito de qualquer um abandonar ou aceitar o cargo que lhe impuseram ou ofereceram, felizmente o 1º Ministro não o fez, nesta altura o Presidente teria que repensar o seu futuro político, ou nomear um 1º Ministro socialista ou um amigo que lhe preenchesse o vazio da cadeira que lhe ficava nos braços, a não ser como tomada de posição extrema, e depois do que aprontou, se auto nomeasse também PM.

Não gostei do que foi afirmado pelo BE, queriam que ele não se demitisse porque?

Porque assim não poderia o 1º Ministro entrar na campanha eleitoral que se aproxima, afinal o homem já não mete medo a ninguém.

Sócrates foi um grande filósofo, este (o português) deixa-nos gregos com as suas tiradas infelizes, se pensa que vai fazer uma campanha ao estilo de um presidente, um partido, um governo, deve primeiro ter o cuidado de não fazer crer aos portugueses que está a ser levado ao colo por uma franja de interesses obscuros, o seu discurso aproxima-se muito de um de má memória: “Ein Volk, Ein Reich, Ein Fuher”. Conto com a inteligência do povo português. O Eng. Guterres já lá se aguentou com esse sistema e deu no que deu.

Quanto ao Dr. Paulo Portas que se cuide. Fica-lhe mal ir buscar os interesses de uns senhores que sempre fizeram o possível e o impossível para ir sacando uns milhões a este País, onde as empresas lutam com dificuldades e eles fogem aos impostos. Só agora é que viu isso? Na altura em que, com o Partido Socialista e o Dr. Mário Soares (PR da altura), se atirava ao Governo do Prof. Cavaco Silva, defendia os interesses de quem? Os meus não, nem o dos portugueses. Esse nacionalismo nasceu-lhe só com a sua ida para o governo?

Na verdade e como já se vai afirmando devemos desde já começar a pensar o que o futuro nos reserva e os cenários são tentadores:

- O Partido Socialista ganha as próximas eleições, com maioria até. Enquanto o PR se mantiver o mesmo, nada acontece. Imaginem porém que ganha o “candidato” de outro partido. Se não gostar da cara e do Eng. Sócrates, demite a Assembleia da República e força de novo o povo a escolher outro partido, este cenário, repetir-se-á até o partido que convier ao PR ir para o poder. Foi este o precedente exacto que o PR actual conseguiu. Veremos o que dizem nessa altura os nossos soberbos constitucionalistas. Gosto sempre de os ver às voltas para enquadrarem as suas posições ao que mais lhes convém.

Como já fiz referência anteriormente, não votei, portanto estou completamente à vontade para dizer que nem o PR está lá com o meu voto, nem o actual PM, até por sinal não gosto deles.

Talvez, neste momento difícil deste País, mude de opinião quanto ao voto. Nunca fui apologista de ditaduras socialistas, nem de “putchs” à velha maneira soviética. Já passamos por isso à muitos anos atrás, o PREC, os SUV, a tentativa de assalto ao poder de uma minoria com fim de impor uma ditadura comunista. O mau exemplo do Presidente leva-me a crer que é esse cenário que está a ser testado.

Espero sinceramente que seja apenas um pequeno equívoco meu.

publicado por McClaymore às 14:22
link do post | comentar | favorito
|
Sexta-feira, 10 de Dezembro de 2004

United Colours (Trade Mark)

Vou falar de um tema que nem sempre temos coragem de abordar: o racismo.

Li um “post” que me deixou bastante apreensivo. Em primeiro lugar porque vi nele algumas das opiniões que neste momento são sussurradas por algumas pessoas descontentes. Os portugueses de um modo geral são pessoas afáveis e com um grau de integração e integradores que deviam servir de exemplo a muitos povos. Nos tempos idos dos saudosos governos do Prof. Cavaco Silva (desculpem-me aqui a minha deambulação, mas ela é importante para a verificação dos factos), vieram a terreno zurzir várias personalidades de esquerda contra o que se chama de racismo português. Foi orquestrada uma campanha, bem apoiada por algumas franjas desse sector, partilhadas várias entrevistas, dados motivos e até do Presidente da República da altura o fez. Fiquei extremamente chocado, não com o facto de me incluírem numa chusma de pseudo racistas, tribais e apoiantes do Ku Klu Klan. Na verdade deram uma imagem de que eu e outros tantos estávamos numa cruzada contra as minorias que se encontram neste País, mas o choque maior foi ver os que deviam dar o exemplo e acima de tudo manter uma certa distância, vir dizer alto e bom som que os portugueses eram racistas. Imaginem que até chegaram ao ponto de convidarem um cantor negro, que por acaso tinha ganho um ou dois discos de platina, dizer na nossa televisão, que efectivamente os portugueses eram um povo racista. O que ele não explicou e nunca nos foi explicado é que tendo em conta a quantidade de pessoas da cor dele, sendo uma minoria em relação à compra dos seus discos, como é que ele ganhou as duas platinas e quem efectivamente os tinha comprado, provavelmente os espanhóis? (desculpam-me aqui o meu racismo certamente).

O que se passa neste momento e julgo que não só sou eu que tenho essa opinião, é que os portugueses se sentem incomodados pelo estado em que o País se afundou: faltam os empregos, a precaridade do posto de trabalho é uma constante e sobretudo o poder real de compra tem diminuído nestes últimos anos.

É fácil culpar ou arranjar culpados, aqueles que representam uma série de ameaças ao nosso conforto do dia a dia, começando obviamente pelos motivos económicos, as ditaduras do século passado, recentes, apostaram fortemente nesses motivos para se apoderarem do poder. Nos somos um exemplo vivo disso.

Vou apenas fazer uma referência a dois episódios que me marcaram, o meu pai que fez uma série de comissões no Ultramar, combateu ferozmente os grupos que queriam a autodeterminação, nunca em circunstancia alguma o vi tratar com menos respeito outra pessoa fosse de cor fosse, bem pelo contrário, um dia apontou-me com o dedo um camarada, um igual a ele que combateu do outro lado e disse-me: “A este fui eu que o ajudei a fazer os estudos que tem…Um grande homem, muito inteligente – e depois sem rancor acrescentou – Pena que estivéssemos em campos opostos…”; uma outra vez disse-me “ Vez além aquele senhor, é meu camarada, lutou nas matas da Guiné comigo, é o militar mais condecorado do exército português, é preto, mas vale mais que muitos brancos juntos.”

Na verdade só vemos racismo quando confundimos a cor dos olhos com a cor do sangue, quando arranjamos desculpa para os nossos males influenciados por uma tonalidade de incompreensão. Compreenderão isso quando num dia, nesses tempos quentes de intoxicação, se estivessem no meio de uma rua e só porque não foram rápidos a afastar-se dos passos apressados de um transeunte, ele se virasse e dissesse: “Racista, os portugueses são todos iguais…”, claro que me apeteceu fazer-lhe a pergunta do que ele fazia na minha cidade e no meu País, contive-me a tempo, não quis retorquir com as armas mais fáceis que tinha na mão, perguntei apenas, olhos nos olhos: “Por acaso é português? Sabe o que é o racismo?…”.

Ainda hoje aguardo pela resposta. Eu adivinhei qual era: é fácil jogar com a ignorância das pessoas, é para isso que servem os políticos.

 

Nota do autor: Sou branco, caucasiano, português, sangue vermelho espesso, sangue árabe, negro e judeu, provavelmente correm nas minhas veias, e em alguns reis que nos governaram também, mas sobretudo sou humano como os outros que vagueiam neste planeta. Apenas, como bom português, continuo a não gostar de "nuestros hermanos".

publicado por McClaymore às 23:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
|

“Cuilibet in arte sua perito est credendum.”

latim "Deve-se dar crédito a quem é perito em sua arte. Ouvir os especialistas na matéria."

Os exemplos vêm de cima, o decano da política portuguesa promoveu mais uma vez a economia. Convidou 1999 amigos para uma jantarada, que botou discurso e tudo a troco de 55 palhaços (leia-se euros). A Associação de Actividades Hoteleiras e Afins agradece. Aquilo parecia uma reunião dos amigos da Ordem da Jarreteira e da Maçonaria. Ele tinha prometido que se retirava da política quando acabasse o seu mandato de Presidente da República. Deu o dito por não dito e lá foi buscar mais uns trocos à União para a sua “parca” reforma. Agora prometeu que só mandava uns bitaites quando lhe apetecesse. O homem é republicano e ateu, mas não é parvo. A entrada ao som do hino dos congressos socialistas, não pronuncia nada de bom. O discurso do “Basta”, está gasto, serviu apenas para mais uma vez mandar recados, deveria trocar o “a” pelo “e” e teríamos “Besta”, alguns dos presentes enfiariam o garruço. Os elogios foram muitos, veja lá se não o convidam outra vez para se recandidatar. Dois dos convidados não apareceram, o General Ramalho Eanes e o Prof. Cavaco Silva, pelo menos salva-se a honra do convento, alguém que mantêm a sua postura ao longo dos tempos é coisa rara nos tempos que correm.

Já agora aproveito para fazer um elogio ao camarada com nome de guerra índio, um pouco nervoso, directo, mesmo não gostando da sua linha política, gostei do seu discurso terra a terra, mudou a camisa aberta, pelo fato e pela gravata, fica-lhe bem.

Aguardo pacientemente pelas explicações do Presidente da República. Já tinha previsto esta crise num anterior “post” de 10 de Julho deste ano, tem o título de: “Carta aberta ao Exmo. Sr. Presidente da República”, nessa altura tomou a decisão de nos impingir um governo, após consultar o dito Conselho de Estado, agora tomou a sua célere decisão sem o consultar. Em que é que ficamos? Para quê a audição dos Conselheiros, para se justificar ao País? E nós para é que servimos? O tom paternalista do Salazar e do Caetano continuam a fazer escola neste cantinho. Até quando?

publicado por McClaymore às 17:09
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|
Segunda-feira, 6 de Dezembro de 2004

O poder do “Scoth-Brite”…

Sabendo de antemão que os meus amigos gostam da “política”, de preferência da “politicamente incorrecta” e na minha saga marcelista de divulgar o pessoal que nos vai dando umas alegrias com aquilo que escrevem neste universo, aconselho vivamente que visitem um novo blog que foi criado por um bom amigo, gabo-lhe a paciência, mas isto de dar “pérolas a porcos” e “alimentar burros a pão-de-ló”, tem que se lhe diga.

 

PS: O mais importante o link para

[Error: Irreparable invalid markup ('<font-size:>') in entry. Owner must fix manually. Raw contents below.]

<P class=MsoNormal style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Sabendo de antemão que os meus amigos gostam da “política”, de preferência da “politicamente incorrecta” e na minha saga marcelista de divulgar o pessoal que nos vai dando umas alegrias com aquilo que escrevem neste universo, aconselho vivamente que visitem um novo blog que foi criado por um bom amigo, gabo-lhe a paciência, mas isto de dar “pérolas a porcos” e “alimentar burros a pão-de-ló”, tem que se lhe diga.</SPAN></P><P class=MsoNormal style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"></SPAN> </P><P class=MsoNormal style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">PS: O mais importante o link para </SPAN><SPAN style="COLOR: red; FONT-FAMILY: Verdana"><A style="COLOR: #ff0000; FONT-FAMILY: v; TEXT-DECORATION: underline; text-underline: single" href="http://otacho.blogspot.com/"><SPAN style="COLOR: red"><FONT-SIZE: 10pt>O Tacho</FONT></SPAN></A></SPAN><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">, pena não ser verdade, andamos todos à procura do mesmo não é…</SPAN></P><P class=MsoNormal style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana"></SPAN> </P><P class=MsoNormal style="MARGIN-TOP: 0px; MARGIN-BOTTOM: 0px; TEXT-ALIGN: justify"><SPAN style="FONT-SIZE: 10pt; FONT-FAMILY: Verdana">Vamos lá a tachear…, desculpem a blogar…</SPAN></P>
publicado por McClaymore às 15:58
link do post | comentar | favorito
|
Sábado, 4 de Dezembro de 2004

"Rituais..."

O arrumar da roupa, despreocupado, para apanhar a boleia do meu avó, o viajar por atalhos, entre os muros e silvedos, em caminhos há muito percorridos por viajantes desconhecidos.

O parar lesto e despreocupado, para apanhar umas amoras silvestres, fugidias e defendidas, que retintavam as mãos de cor e açúcar.

O rilhar dos grilos, que se calavam tolhidos, o saltar dos gafanhotos que fugiam de uma qualquer sardanisca mais espevitada.

O olhar sobre os lameiros verdes, os regos cheios de água pura, onde alguns girinos se escondiam céleres à passagem da nossa sombra.

O sol da matina estival, que já ia longo e gasto.

O repicar de algum sino de uma aldeia ao longe, entremeado pelo som do vento quente, a esbracejar nos castanheiros velhos e cansados, cheios de pontos reluzentes e defendidos, que espreitavam latejantes o anunciar de mais um Verão efémero de S. Martinho.

O bater do pica-pau nos troncos dos pinheiros e dos carvalhos rasos de bolotas.

A erva verde que crescia, salpicada aqui e ali com o amarelo e roxo das flores. As abelhas, rápidas, sem cerimónia, sem tempo para se cumprimentarem, a pular de estigma em estigma, por entre dedaleiras e malmequeres selvagens.

O entrar no portão, velho, repintado de verde-garrafa, sempre entreaberto, percorrer os bardos, as estacas e conhecer de cor cada casta e cada cepa.

A sombra fresca das ramadas que se revezavam, os morangos, já selvagens que pintavam de encarnado, maduros e roídos pelos pássaros.

O sorriso da criada ao por em frente de cada um a malga com a sopa, onde o garfo dificilmente entrava e saia cheio de sabores quentes da terra.

A sacada em pedra, recoberta de madeiras antigas, secas e acolhedoras, sustentada pelos pilares do granito frio.

O espraiar ao longo do verde dos vinhedos, o rio lesto, calmo e profundo que corria nas gargantas, lá bem longe, em curvas e contracurvas sensuais.

O redondo das encostas, tolhidas pelos socalcos, as casas brancas, senhoriais que entrecortavam a paisagem, onde o fumo dos velhos fogões, anunciavam os afazeres de mais uma vindima.

As mulheres a cantar ao desafio, a rir de piadas brejeiras, o tomar de um gole só, um pouco de vinho retinto que pingava pelos cantos da boca, o passar a mão pelos lábios para retirar o ultimo pingo, teimoso, que caía na frente da camisa, quente e suada, do homem ajoujado pelo peso do cesto de verga, cheio do brilhante de cada cacho.

O bater do aço contra aço, da tesoura, que cortava impiedosamente, entre o restolhar de cada parra.

O lagar onde tudo começava e tudo acabava.

O olhar de aprovação quando se levava um bago à boca, doce e enjoativo, prenuncio de uma boa colheita.

O jantar iluminado pela lareira e pelo “petromax”, por onde se desfaziam as traças bamboleantes e encandeadas.

O entrar no lagar, já noitinha, o espremer, entre a pedra de cada bago, as cócegas por entre os dedos dos pés, que se prolongavam nas pernas, pintadas pelo mosto, cansadas e tolhidas, apenas comandadas pelo cantar dos homens entrelaçados, calças pretas arregaçadas em dobras mal feitas e pouco vincadas, mãos nos ombros do companheiro do lado, para suportar o compasso ritmado do feitor, avançando e esmagando, como se de um exercito se tratasse.

O acabar o dia entre lençóis de linho, branco e alvo, o quente dos cobertores de papa, antigos e amarelados.

O acordar com o raio de sol que batia no soalho velho, corrido, mal encerado. Abrir as portadas de carvalho e sentir o calor do dia.

O correr para a cozinha negra pelo fumo, o sentir as vozes de quem acordou à muito, o agarrar a tigela cheia de leite quente, acabado de tirar, cortar uma fatia de pão de milho fresco e barrar sôfrego a manteiga que derretia.

Os sons da casa, que imprimiam em ebulição, um novo dia, entrecortados pelo chiar das giestas que reacendiam a lareira, crepitantes, uivantes, a contorcerem-se, por entre as labaredas que esbarravam contra a parede enegrecida.

O retomar dos mesmos passos, o calor do trabalho, entre cada gesto que já se conhece de cor.

O voltar, o saber que para o próximo ano, o ritual se perpetuaria…

publicado por McClaymore às 12:38
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Sexta-feira, 3 de Dezembro de 2004

"Razões de uma dissolução, razões para uma demissão..."

Deixei correr a tinta nos jornais, os rasgos de absoluta lucidez que tentaram explicar de todo a atitude do nosso Presidente. Eu não gostei deste 4 meses de desgoverno, mas dificilmente apoio a decisão dele.

 

As razões apontadas prendem-se com:

 

- Os problemas na colocação dos professores.

 

- A entrevista do Prof. Cavaco Silva.

 

- Os sinais dos empresários portugueses.

 

- A indigitação de um madeirense para o Governo da República (este Jardim mata-me).

 

- O episódio Prof. Marcelo.

 

- A carta de demissão do amante do tiro aos pombos.

 

- A demissão do amante do tiro aos pombos.

 

Acontece que dentro deste enquadramento, ainda não vi razão nenhuma a suportar a decisão do nosso Presidente. No tempo do Eng. Guterres demitiu-se um ministro em escândalo e ainda não tinham passado meia dúzia de meses de Governo, houve outro que nem chegou a tomar posse. A lavagem de roupa suja com o Eng. João Cravinho e a Dra. Manuela Arcanjo foi quanta se quis, o Presidente à data era o mesmo. Nenhum destes Governos era suportado por uma maioria. Não vi sinais de Belém a acenarem com uma qualquer dissolução.

Esse Presidente ainda pensa sozinho e a decisão de ordenar a dissolução da Assembleia da República, com uma maioria Parlamentar em exercício, não consta dos manuais de qualquer democracia, e foi só dele, pelo que o compasso de espera a que ele nos quer fazer crer só será completado com a reunião do Conselho de Estado, não pega. De duas, uma, fê-lo com plena consciência ou fê-lo por motivos menos claros. Nesse caso em concreto, se tal se vier a revelar, não fico com apreço pela atitude do Presidente, pelo contrário cola-o a uma imagem de vulgar politiquice a que deveria estar completamente alheio.

Bastava que o Presidente dissesse aos portugueses que não achou nenhuma piada ao tratamento que quiseram dar à demissão do Ministro Chaves, à sua substituição apressada, e a um Primeiro Ministro que não cancela uma viagem à Turquia num momento grave e de completo desnorteio do País, sendo essa atitude de uma irresponsabilidade tal, que demonstrava apenas uma vontade de cumprir calendário, não de cumprir um mandato.

Esta era a única razão válida que eu esperaria que ele me apresentasse para esta extemporânea dissolução, se outra for, espero bem que não, deixei de o ver como garante da nossa democracia, mas apenas como um dos filiados políticos de um vulgar partido.

Aconselho nesse caso e se tiver alguma réstia de dignidade, a de tomar a difícil decisão de se demitir.

O que me preocupa aqui não é tanto mais a posição pouco responsável do Primeiro Ministro, mas a pouca consistência da sua demissão. Para além disso por incrível que parece é um Presidente que demite, mas que exige ao mesmo tempo que esse mesmo governo demitido, leve a aprovação um Orçamento para outro qualquer governo, a desculpa que estão ainda em exercício é falsa. Não está aqui em causa se é um bom ou mau Orçamento. Não está em causa se vai ser o mesmo ou os mesmos partidos a governarem o País futuramente, o que está em causa é o de exigir o Presidente da República uma responsabilidade sobre um acto que está nitidamente ferido de incapacidade de ser posto em prática.

Aqui quem é o irresponsável. Julgo que ninguém. Somos todos nós que ano após ano elegemos uma data de tipos que põem em prática exercícios de governação completamente de terceiro mundo e baseados na premissa efectiva que nunca nos revoltaremos.

publicado por McClaymore às 00:12
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
|
Quinta-feira, 2 de Dezembro de 2004

"Quem quer vai, quem quer pode, quem quer manda..."

Pela lei fundamental portuguesa, só os partidos legalmente constituídos podem concorrer aos lugares da Assembleia da República. Como cidadão nas plenas faculdades e direitos constitucionais tenho uma de várias opções que passo a exercitar:

 

- Voto no partido que mais se identifica com a minha cor política. (Azar, a cor do meu clube é verde, sou lagarto, mas não pago quotas pelo que esta opção é obviamente um exercício de masoquismo. Deveria segundo a cor, votar nos ditos “verdes”, mas ideologicamente falando, eles não são verdes, são “melancias”, verdes por fora e vermelhos por dentro, não sou adepto dos lampiões portanto não voto neles).

 

- Voto no partido que melhor me informa sobre as suas ideias e programa de governo. (Isto ainda se torna mais difícil porque nunca vi nenhum a fazer isso).

 

- Voto em branco (Mais masoquismo: segundo a lei eleitoral os votos em brancos ou nulos contam para apuramento dos nossos devotos representantes, até ganham dinheiro para o partido com isso).

 

- Voto nulo (escrevo umas baboseiras no boletim de voto, voto em todos, voto na minha avó, voto no Salazar, basicamente efeitos iguais ao do voto em branco).

 

- Não voto, ao contrário do que nos venderam é legítimo, representa uma opinião de um eleitor que não quer ninguém a representá-lo, não por falta de opinião mas porque quer expressar uma opinião contrária àquela cáfila interesseira que se quer eleger e mesmo que eles se digam meu representantes, eu não os considero como tal. Não têm perfil, honestidade e capacidade para o fazer.

 

Podem os amigos que me lêem, pensar que eu aqui entro em contradição, bem pelo contrário, pergunto a cada um de vocês se conhecem o deputado que os representa no Parlamento, façam por favor o vosso acto de contrição, digam-me o nome dele e o que é que ele já fez por vocês, excepto o de levar um ordenado para casa. Já pensei como vocês. Acredito na democracia quando ela me dá o direito de escolher entre o mais e o menos bom, não entre o mau e o menos mau, deixei de acreditar quando ela se constituiu numa feira de valores que nada me dizem e que servem apenas para eternizar o clientelismo, a corrupção, a inépcia e acima de tudo a continuação de uma cambada de incapazes que adoptaram a política para subir na vida e que efectivamente a todo o custo se querem perpetuar no poder. O voto nas urnas seja em que circunstancias for apenas serve para credibilizar aqueles que se dizem representantes de alguém. Isto não é democracia, isto chama-se ditadura: Salazar arranjou um esquema igual, quem não votasse não podia ocupar cargos públicos, pelos vistos ninguem inventou nada.

 

Poderia ainda ter mais uma data de opções: fundar um partido, ir para a estrada e conseguir uma nova maioria. Acontece que me poderia tornar como os actuais governantes ou então chegar à mesma conclusão que eles: “Cada povo tem os políticos que merece, eles merecem-nos agora têm que nos aturar”.

 

Eu pensei seriamente em convidar todos os “bloguistas”, mesmo aqueles que estão na política em constituir um governo sombra, ou então como alternativa final a imigrar e deixar apenas neste País os políticos e as suas bacocas ideias. A outra alternativa que me agradava um pouco mais era pegar nessas excelentes pessoas enfia-las num barco a remos e obriga-los a imigrar. Têm o meu voto seguramente…

publicado por McClaymore às 22:36
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

.Março 2006

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab
1
2
3
4
5
6
7
8
9
10
11
12
13
14
15
16
17
18
19
20
21
22
23
24
26
27
28
29
30
31

.Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

.posts recentes

. Nova Casa…

. Nos bastidores da Guerra ...

. "Nada de novo na frente o...

. "Ladrão que rouba a ladrã...

. Crónicas de um Rei sem tr...

. Mãe, há só uma...

. Crónicas de um Rei sem tr...

. Crónicas de um Rei sem tr...

. Crónicas de um Rei sem tr...

. Crónicas de um Rei sem tr...

.arquivos

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Novembro 2005

. Setembro 2005

. Julho 2005

. Junho 2005

. Maio 2005

. Abril 2005

. Março 2005

. Janeiro 2005

. Dezembro 2004

. Novembro 2004

. Outubro 2004

. Setembro 2004

. Agosto 2004

. Julho 2004

. Junho 2004

blogs SAPO

.subscrever feeds

Translate this blog to English

powered by Google