Terça-feira, 19 de Julho de 2005

Crónicas de um Rei sem trono. (continuação III)

Capítulo I

 

Do conhecimento, todo o humano descobrirá que não é eterno.

 

Mais uma cruz, os mesmos símbolos rúnicos, bem antigos e ilegíveis, mas desta vez em pedra, muito velha, aqui e ali, o musgo verde cobria algumas fendas intemporais. Marcava uma encruzilhada que se bifurcava para este, por um caminho forrado por ervas altas e pelo matagal denso que o cobria, bem pouco concorrido, o trilho mal se vislumbrava. Em frente a continuação do que calcorreavam neste momento, a oeste, bem perto, a ponte.

A entrada, os dois pilares em pedra, com engastes em ferro, enferrujados pelas intempéries e pelo tempo. Um passadiço cujas lajes estavam polidas pelos cascos e pelo passajar das gentes. As ripas pareciam seguras, gastas, mas seguras.

- Mestre Clarence, acho que tinhas razão. Ao longe engana bem. Mas as amuradas precisam de uns bons reparos.

- Tendes razão, há muito tempo que ninguém se digna a pregar uma tábua nesta pobre ponte. Quando ela acabar o meu caminho vai ficar mais longo e bem mais perigoso. Se tivéssemos que ir em frente, teríamos que percorrer mais caminho, chegaríamos bem à noite à minha aldeia, as gentes e os senhores desta terra esqueceram-se ou não têm tempo para a reparar pontes. Para além disso esta é pouco usada. A insegurança, obriga a que cada vez menos as aldeias façam trocas entre si. Eu vou arriscando, é o meu sustento, mas muitas das vezes penso em abandonar a profissão, os perigos não compensam o lucro e ainda dou algum valor à minha vida.

O bater dos cascos do burro nas madeiras desgastadas, ecoava no rio, de tempos a tempos, nas velhas travessas que serviam de protecção, entrecortadas pelos apoios dos pilares, pousavam pequenas aves, ou guarda rios, que de um mergulho só, apanhavam pequenos peixes e levantavam voo a rasar as águas. O rio, de um azul averdiscado, deixava ver o fundo, e de quando em quando um peixe mais lustroso a reflectir o sol nas escamas, que de um pulo, apanhava um pequeno insecto descuidado, e em seguida num ápice, escondia-se temeroso no meio das pedras, quando as sombras dos homens e do burro se esbatiam no lodo.

- Se tivesse trazido uma cana e um anzol, aproveitávamos para fazer uma valente pescaria, vamos ter que nos contentar com carne seca, algum pão, algumas maças – Clarence bateu no odre que trazia a tiracolo – e se não tiverdes nojo de mim, bebereis um pouco deste vinho, dar-nos-á um pouco de alegria. De qualquer das maneiras, seria difícil cozinhar estes peixes, não é conveniente atear uma fogueira por estes lados. Se bem que o cheiro a queimado se entranhe por todo o lado, qualquer chama, ou pequeno fumo, serão vistos bem longe. Não precisamos de atrair mais convidados para a nossa refeição, para além disso, devemos sempre desconfiar das intenções de alguns…Claro que não estou a referir-me a vós Senhor.

- Tendes razão, e descansa que não me ofendi. Mas por falares nisso, o meu pobre estômago já fala comigo há um bom par de minutos. Com o meu encontro tive que adiar o meu pequeno almoço, é como tu dizes, alguns convidados, estragam qualquer refeição.

- Mais um pouco, no final da ponte, veremos umas ruínas em pedra, tentaremos fazer lá uma paragem, aproveito para aliviar o meu “Pedro” da carga por uns instantes e para ele se refastelar com a erva que cresce por aqueles lados, também tem direito à sua refeição.

- Ruínas? E que ruínas são essas, Clarence?

- São de um velho templo e de alguns casebres abandonados, eram dos druidas que habitavam estas terras. Há muitas eras atrás foram abandonadas, eram eles também que mantinham a ponte reparada. Um dia pura e simplesmente desaparecem, ninguém sabe como ou porquê. Dizem que foram mortos pelas hordas e que alguns dos seus fantasmas ainda vagueiam por aí.

publicado por McClaymore às 13:56
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Segunda-feira, 18 de Julho de 2005

Crónicas de um Rei sem trono. (continuação II)

Capítulo I

 

Da incompreensão, quem descobriu que o mundo era redondo, devia-o ter guardado para si. Alguns na sua infinita ignorância julgam que o percorreram, quando se limitaram a ficar no mesmo lugar. A única coisa que se moveu foi a sua sombra e nem por isso eles deram conta, enquanto estavam a olhar para o próprio umbigo.

 

Forma aproximando-se do rio, o burro, ignorando as ordens do dono precipitou-se para a água. Os homens não se fizeram rogados e aproveitaram a sede do burro para também usufruírem um pouco da frescura das margens. Beberam também, rápidamente, sempre de soslaio. Nos tempos que corriam, voltar as costas ao perigo era uma atitude insensata, mesmo em campo aberto.

Depois de refreada a secura, retomaram rapidamente o caminho. O burro agora mais satisfeito nem precisa de ser admoestado. O caminho tortuoso e duro, aproximava-se lentamente da ponte. Podiam agora ver-se mais nitidamente os bocados das anteparas, soltas e mal mantidas, a madeira podre deixava trespassar a luz por alguns buracos, oxalá as ripas que iam suportar o peso dos dois homens e o do burro, estivessem em melhores condições.

O bufarinheiro aproveitou para continuar a sua narrativa:

- Como eu ia dizendo Senhor, depois dos antigos desaparecerem, as suas terras foram divididas por cavaleiros e senhores que tomaram o poder à força ou por astúcia. Alguns dizem que se aproveitaram mesmo das hordas para levarem em frente os seus desígnios. Estas terras foram divididas e retalhadas, nem sempre com as melhores das intenções. Laertum, o reino onde pertence a minha pobre aldeia, outrora já dominou mais de um terço do mundo do lado de cá da montanha, mas o último Senhor, Lord Monteld, não tem a vontade suficiente para se impor. O seu espírito guerreiro também não é famoso, aos poucos foi trocando as armas pela harpa. Infelizmente isso não enche a barriga a ninguém e os conflitos nas nossas fronteiras são cada vez mais frequentes. Para agravar a nossa situação, não tem herdeiros directos, os dois filhos varões morreram em escaramuças sem sentido ao irem em socorro de interesses de primos distantes. Na corte perfilam-se vários candidatos, mas nenhum deles com muitos direitos. A única filha casou com um filho de Lord Jovick, senhor dos Ostram. Se o futuro rei não for nomeado rapidamente, antes da morte do velho Lord, teremos mais uma guerra entre nações. Os Ostram tentarão fazer valer os direitos de Milady Guern e se tal vier a acontecer, os nobres de Laertum, dividirão as suas forças dos que apoiam a nossa integração no reino de Lord Jovick e aqueles que não aceitarão que sejamos governados por outro povo. O futuro deste pobre reino está entregue à sorte, e a nossa não se apresenta risonha. Para ajudar à confusão corre a lenda de que um homem, estrangeiro, virá para reclamar o trono vazio, mas que trará com ele também guerra para unificar as Nações para lutar contra os Saurcans. Nós só pedimos que nos deixem levar a nossa simples vida, trabalhar as nossas terras e que os nossos filhos possam brincar em paz. Desculpai Senhor o meu desabafo, mas as nossas vidas não são fáceis…

- Hummm, o teu sentimento de revolta é natural. O teu Senhor poderia ter em conta os vossos anseios. Deveria ser melhor aconselhado, ou talvez nomear um bom sucessor. Compreendo a tua preocupação. Mas deverá ser a nossa de chegar inteiros à tua aldeia, não achas? A ponte que vamos atravessar é segura?

- A ponte é velha, mas suas madeiras são duras, a solidez das suas fundações também, não olhes para o aspecto geral. Ela vai decerteza puder connosco. Quanto à tua preocupação de chegarmos vivos à aldeia, tens razão, ainda nos falta isso, desculpai, as preocupações deste pobre bufarinheiro. Depois de atravessarmos a ponte, continuarei a minha história, pelo menos terá o condão de aliviar o meu temor.

A ponte aproximava-se a passos largos, os choupos e os plátanos aumentavam, o vento fazia balançar, sem muita força, os seus ramos que esbracejavam indolentes. O sol ainda mais alto batia forte, a paisagem soberba e a perfeição do quadro, apenas era obscurecida pela coluna de fumo que aumentava bem longe no horizonte, juntamente com os pensamentos e temores destes companheiros forçados de viagem.

publicado por McClaymore às 20:18
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Sexta-feira, 15 de Julho de 2005

Amizade & Solidariedade.

Amizade.

 

Sinceramente, começa a preocupar-me o discurso do Jorge Coelho nos comícios do Carrilho:

“…é para dizer à minha amiga Bárbara que eu gosto dela…”

Estes sentimentos ficam-lhe bem, mas se fosse ao seu amigo Carrilho, começava a ficar profundamente preocupado. Amiga!?!

Com amigos destes quem precisa de inimigos.

E continuou alegremente o Jorge Coelho:

“…e o PS gosta dela…”

Convenhamos, quem é que não gosta? Sr. Doutor Jorge Coelho, alguém, mas alguém no seu perfeito juízo não gosta da Bárbara?

Já agora a candidatura é da Bárbara ou do Carrilho? Por favor decida-se, os lisboetas estão a ficar baralhados com tanta confusão.

 

Solidariedade.

 

Aproveito para deixar a minha solidariedade para com os Bailarinos (é em letra grande de propósito) da gulbenkian (em letra pequena, também é de propósito), e linkar o blog deles ao meu. O Senhor 3% deve estar pouco descansado na sua tumba, e cada vez mais preocupado com aqueles que se arrogam a administrar o seu legado. A cultura deste País, está de luto. Os tecnocratas que administram os bens da Fundação, também não: as suas reformas principescas estão a salvo, bastou deixar no desemprego uma centena de bons bailarinos.

Já sei, já sei o link do blog: Ballet Gulbenkian.

Pessoal do limbo, vamos até lá dar uma palavra de apreço e solidariedade. Evitem, como alguns, deixar apenas o fel exteriorizado pela falta de humanidade que grassa nos tempos que correm.

Toca a blogar…

publicado por McClaymore às 13:23
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Quinta-feira, 14 de Julho de 2005

Terrorismo?

Eu tinha prometido a mim mesmo que a minha veia cínica ficava parada durante uns tempos. É difícil aguentar calado, quando a coberto de situações consideradas fundamentais, se consigam tomar medidas extravagantes e com objectivos obscuros.

Quem leu os livrinhos como eu li nas épocas de 80 sobre os perigos infindáveis que já se adivinhavam sobre o fundamentalismo que nessa altura se estava a formar, teria que começar a perguntar aos senhores que nos governam, quais as medidas que foram tomadas para minimizar os efeitos que já se previam e faziam sentir.

Os manuais da OTAN, já nessas décadas, falavam do perigo da tomada por grupos islâmicos radicais de governos até então considerados, do ponto de vista ocidental, de moderados.

Se leram ainda os manuais do Pacto de Varsóvia, verão neste momento no terreno que os bons alunos, tomaram o lugar dos mestres: “Mais vale um homem atrás da linha do inimigo, do mil à frente dele”.

Estas palavras são o culminar do que se está a passar na Europa. Os islamistas radicais mais não fazem do que por em prática as lições que receberam durante a “guerra fria”, tanto dadas pelos senhores da CIA, como do KGB.

Descuramos as nossas defesas ao não darmos a devida importância ao vazio de poder que se instalou depois da caída da URSS.

O terrorismo é a via fácil daqueles que a coberto de princípios, que só advogam para os outros, se escondem nas sombras.

O pior é o aproveitamento fácil dos governos ocidentais, que sob a capa de um pretenso poder que lhes foi confiado, quererem impor pela via legal, mecanismos de controlo até aqui considerados ilegais.

O controlo da Internet, das chamadas telefónicas e todo o tipo de comunicações, já era feito. O Dr. António Costa, durante a sua passagem por Bruxelas, fazia parte da Comissão instaladora. Ficou apenas como ele disse e muito bem apenas adormecida, os ataques terroristas servem apenas, mais uma vez para que os sistemas passem da obscuridade latente para a legalidade.

Aqui resta apenas uma pergunta, afinal quem são os terroristas?

São aqueles que deflagram as bombas ou aqueles que a coberto da morte de inocentes nos querem impor outras formas de terror?

Sim, porque o obvio está para acontecer, quem garante que a correspondência entre pessoas não vai ser violada posteriormente?

Quem me garante que aquilo que eu digo não vai ser revelado, mesmo com uma desculpa, de uma pretensa violação de segurança sem sentido?

Um caso mais estranho passou-se nos EUA, a coberto dessas mesmas normas de segurança, uma Agência Federal queria ter acesso ao código fonte de um programa que encriptava mensagens. O caso foi a tribunal e sobre as alegações da modesta Agência, fica apenas o registo: de que iam demorar muito tempo a descodificar as mensagens que fossem codificadas por aquele método, mas que não era para as lerem.

A resposta do Juiz, neste caso foi justa e imparcial, nem ele se acreditou na inocência da petição: não havia motivos para que a Agência tivesse acesso ao código fonte do programa, visto que se as mensagens não eram para ler, não havia nenhum motivo razoável para que ele lhes fosse facultado.

Resumindo, o caricato da situação era apenas o tempo que eles iriam perder a tentar arranjar um método para ler as mensagens, até um estúpido compreenderia isso.

Já agora vão guardar todas as mensagens e conversações que os cidadãos têm?

Porquê? Para quê? Quem as guarda? Quem tem acesso a elas?

E por fim, quando as apagam? E seu pedir o acesso a elas?

Já experimentaram como eu fiz, de pedir o registo das vossas chamadas a uma operadora?

Eu já o fiz, e não obstante elas admitirem publicamente que guardam esse registo, a operadora em questão, negou que o fizesse, e adiantou, mesmo que o fizesse eles não tinham autorização de as facultar, acho que isto chegaria para qualquer um começar a desconfiar das boas intenções das medidas que agora foram aprovadas.

publicado por McClaymore às 14:00
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Crónicas de um Rei sem trono (continuação)

Capítulo I

 

Da procura, nem sempre encontramos aquilo que queremos, é tudo uma questão de paciência, até que a solução nos venha para às mãos.

 

- Ninguém sabe como começou, mas ainda nos tempos dos antigos, quando eles mandavam por estas terras, começaram a chegar notícias sobre o que se passava para além das montanhas de Idich. Ao princípio eram notícias sobre um grupo de guerreiros nómadas que eram comandados por um chefe feroz. Por onde passavam, queimavam, pilhavam e violavam. As terras que iam conquistando eram logo tomadas pelos que os seguiam. Para cá das montanhas, nenhum senhor lhes deu a devida importância. Para conseguirem passar para o lado de cá ainda deveriam levar muitas eras, pensavam eles. O tamanho das montanhas e os seus abismos, também deveria ser um obstáculo e só quem soubesse o segredo da passagem é que se poderia atrever a percorrer os seus segredos. Não sabemos como, nem quem. Uns dizem que foi traição, outros que foi arrancada debaixo de tortura. Mas em suma, coisa é certa, à cerca de um ano, foram aparecendo grupos de guerreiros que se embrenham nas florestas, assaltam os viajantes e só uma boa escolta garante a segurança. Alguém ensinou o caminho aos Saurcans e aos poucos foram invadido estas terras. Dizem que são a guarda avançada dos que os esperam do lado de lá das montanhas e que só estão à espreita de uma boa oportunidade para se instalarem definitivamente. Por cá os grandes senhores não se entendem, continuam firmemente a guerrear-se entre eles, sem se importarem com o que se passa do lado de lá. A guarda avançada dos guerreiros tem feito muitos estragos, mas acho que os maiores são feitos pelos senhores que se guerreiam entre eles. A minha aldeia está nas terras do Senhor de Laertum, pagamos os nossos impostos, mas ele não nos garante as nossas vidas. Já não sei se é melhor viver sobre o jugo de estrangeiros do que viver a pagar com os nossos melhores homens, os nossos cereais, as nossas espadas e lanças. Muitos já se perguntam, se não seria preferível que os que aguardam do lado de lá para nos invadir, que o fizessem já. É terrível viver nesta situação. Os nossos recursos são cada vez mais escassos, o sal que levo no meu burro, seria bem mais barato e de melhor qualidade. Agora pagamos dez vezes mais do que pagaríamos à meses atrás.

O caminho foi-se alargando, a alameda frondosa foi substituída aos poucos por arvores mais baixas e mais esparsas, entravam agora num vale amplo cortado apenas ao longe por uma ponta de um rio que aparecia de vez em quando batido pelos raios de sol, que abrasavam cada vez mais. O caminho agora mais largo, era mais irregular e bem mais duro. Aos poucos, quando se aproximavam do rio, iam-se ouvido o grasnar dos patos. A paisagem expandia-se pelo horizonte, os sons dos sinos aos poucos foi ficando cada vez mais para trás, cada vez mais distantes.

- Clarence, sabes dizer-me porque repicavam os sinos com tanta intensidade?

- Não sei dizer Senhor, as gentes da ultima aldeia por onde passei, estavam agitadas e com ar de poucos amigos. Mesmo sendo uma visita regular, agora os senhores que a governam, os de Cahir, são inimigos de Laertum, pelo que mesmo eu, um inofensivo bufarinheiro sou considerado inimigo. Mas não é difícil de adivinhar a causa de tanta agitação, deveriam estar à espera de algum mensageiro e de recrutadores para os exércitos. Aqueles soldados que nos iam surpreendendo, deveriam pertencer à escolta. Estavam decerteza a vasculhar as redondezas para se certificarem que nenhum homem válido escapa aos seus deveres. Se nos tivessem encontrado certamente agora estávamos a fazer o caminho em direcção à aldeia e mesmo contra a nossa vontade iríamos preencher as fileiras de Cahir. Ainda não vos agradeci por isso. Mas aceitai as minhas sinceras desculpas e a minha gratidão. Os meus filhos e a minha mulher dificilmente me veriam tão depressa.

- Não precisas de me agradecer. Eu estaria nas mesma situação do que tu. A minha pele teria tanto valor do que a tua. A tua refeição e a tua ajuda a chegar á tua aldeia, são recompensas suficientes.

- Vou dizer ao Mestre Ollin para vos arranjar um cavalo e uma espada, pelo menos serão de melhor qualidade do que aquelas que ele normalmente vende a incautos.

- Obrigado, e o resto da tua história?

- Eu continuo, deixai-me tomar um pouco de fôlego. Estamos a aproximarmo-nos da curva do rio de onde poderemos ver a ponte que temos que atravessar, é já ali adiante, mesmo junto aqueles choupos.

Foram encurtando a distância, aos poucos sentia-se a humidade do rio e nas suas margens, começava-se a ouvir cantar das rãs que se escondiam no lodo e nos canaviais espessos. Uma garça, voava rente à água e fazia calar as rãs, ouvia-se o murmurar do rio, de vez em quando um tronco, tombado seguia na esteira da corrente, os ramos flácidos pareciam braços num último esforço para não serem submersos.

Lá ao longe a muita distância uma coluna de fumo, escura, eleva-se em espirais negras.

- Sarilhos ou desgraças – comentou Clarence.

- Sabes de onde vem, aquele fumo?

- Além só pode ser nas terras de Celtius, provavelmente um ataque de uma horda de Saurcans, por ali fica a aldeia de Marginus, mau prenúncio, mas fica longe da minha. Costumava ir lá com os meus pais. Começaram aí os meus dias de bufarinheiro. Quando chegarmos à minha aldeia, teremos notícias decerteza.

O ar ainda mais preocupado de Clarence, não de molde a deixar o cavaleiro descansado. Dificilmente se fossem atacados teriam com que se defender, a coragem, ou a falta dela, do homem do burro também não seriam de grande ajuda. A adaga, não serviria de grande coisa contra machados e espadas. Alargou o passo, ultrapassando o homem e o burro. Da trilha, por entre os choupos começava a vislumbrar-se a ponte, aquela distância parecia intacta. As traves de madeira que se entronavam no rio pelo menos assim pareciam. O restante, tirando aqui e ali uma falha, também parecia em bom estado. No entanto, parecia um bom sítio para se montar uma emboscada. Teriam que se aproximar com cuidado e arriscar. Mas antes o melhor seria fazer um reconhecimento prévio. Estava farto de surpresas desagradáveis.

publicado por McClaymore às 12:08
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Quarta-feira, 13 de Julho de 2005

Crónicas de um Rei sem trono.

Capítulo I

 

Das provações, o caminho mais longo é sempre aquele que leva mais tempo a percorrer, muitas vezes é o mais curto.

 

Começava o dia a clarear, bem no alto junto ao cume, um raio de sol trespassava a neve que teimosamente ainda se mantinha debaixo do calor estival.

As árvores frondosas da alameda, sussurrantes e plácidas, argumentavam com o barulho da cascata que se ouvia intermitente. O caminho, de terra batida, ainda húmida dos últimos invernos, enxameava-se de verde rasteiro, pontilhado aqui ou ali por pequenas flores que teimosamente desabrochavam.

O trote do burro, ressoava oco e pesado, abafado pelos sons dos poucos pássaros que já começavam a constituir a sua prole.

O homem que seguia o burro, acicatava-o de vez em quando pelo espanejar de uma pequena vara apanhada sem escolha à beira do caminho. O suor que lhe escorria das têmporas indicava que se encontrava à muito a percorrer aquele trilho. De vez em quando por cima do ombro, mandava uma remirada rápida, para trás, aproveitava para azougar o burro novamente, como se fosse seguido por almas de outro mundo.

Lá ao longe retiniam sinos de alarme, trazidos no meio de um turbilhão que adivinhavam desgraças. O nosso homem, tez retesada pelo medo, alargava o passo e obrigava o animal que o procedia a fazer o mesmo.

Desembocaram numa clareira larga, onde o caminho se entrecortava com outros três, no meio, uma velha cruz celta de madeira, entalhada a ferro, cheia de símbolos rúnicos de protecção aos viajantes, encimava um montículo, mesmo no meio do cruzamento. Junto à cruz um vulto baixo e atarracado, vestes escuras e esfarrapadas, um capuz mal posto que descobria uns cabelos negros e brilhantes.

Um cinto largo de pele curtida e dura, enxameado de pequenos anéis brilhantes, serviam de aconchego a uma adaga larga e de lâmina dupla. Quando o homem do burro se aproximou, o vulto levantou-se sem pressas, mais alto, agora que o nosso homem do burro, que refreou o passo e aumentou o semblante ríspido.

O acenar do estrangeiro, e o sorriso que lhe elevou no rosto, acalmou a tensão, os bons dias dados em gaélico pelo estrangeiro e gesto universal de paz, descansaram finalmente o dono do burro que respondeu mais cordial.

- Bom dia estrangeiro…

- Bom dia bom homem, desculpa se te assustei…

- Nestes tempos de escuridão, somos desconfiados. Nestas estradas acontecem coisas terríveis. Eu apenas transporto mantimentos para a minha pobre aldeia…

- Bem sei, mais uma vez as minhas sinceras desculpas, mas fiquei sem montada -apontou em direcção a poente – o meu cavalo foi abatido por covardes…

Sem pressas, mostrou a sela arrancada ao animal, e bem cravada no couro ainda uma flecha, escura e rematadas com penas de corvo.

O calar dos pássaros e o esgar de horror que se entranhava no seu rosto foi apenas cortado pelo som abafado de cascos que se ouviam, nem tiveram tempo para apresentações.

Rapidamente, sem lhe dar tempo para se recompor, o cavaleiro, agarrou na sela, empurrou o bufarinheiro sem cerimónias, puxou o burro pela arreata para fora do caminho.

Aproveitou uns arbustos que ladeavam a clareira para se esconder juntamente com os seus actuais companheiros. Apenas se preocupou com o burro, tapo-lhe os olhos com um bocado da sua capa e com a outra mão as narinas do quadrúpede, não queria que ele começasse a emitir sons ao sentir o cheiro de alguns primos. O dono do burro, inerte, quase imóvel, dificilmente se manifestaria.

Esperaram pouco tempo e por entre uma fresta dos arbustos, viu seis cavaleiros, de cotas brilhantes e espadas embainhadas, a desembocar na clareira. Não traziam estandartes, os cavalos, foram espicaçados sem cerimónia e como se já de antemão soubessem as suas direcções, dividiram-se em três grupos de dois e sairam à desfilada, pelos outros caminhos da bifurcação.

Quando já não se ouviam os sons dos cascos, o bufarinheiro, mais senhor de si, comentou:

- Pareciam que vinham com uma missão. Pouco vi, mas pareciam cavaleiros de Lord Almerdamm. Cavaleiro…

A ponta de interrogação, e o tom cerimonioso do bufarinheiro, trouxeram à realidade a falta de apresentações, tão abruptamente interrompidas:

- O meu nome é McClaymore, e o teu, bom homem?

- Bufarinheiro Clarence, ao seu serviço Senhor. O vosso nome é estranho por estas paragens, lamento a vossa montada. Quereis colocar a vossa sela em cima do meu pobre “Pedro”? Ou o vosso caminho é diferente do meu?

- Não Clarence, vou aproveitar a tua nobre oferta e acompanhar-te à tua aldeia. Espero que por lá haja algum cavalo disponível?

- Não sei Senhor. Antes de partir há duas semanas, havia alguns. Tereis que perguntar ao forjador, ele é que normalmente tem alguns, que troca ou vende, conforme a s necessidades. Também precisais de outra arma, essa adaga é pouca coisa para enfrentar alguns perigos destas estradas.

O gesto brusco do cavaleiro e o seu semblante pesado, enquanto acariciava o cabo da arma, assustou mais uma vez Clarence. O cavaleiro, apercebeu-se, deixou cair uma ponta da andrajosa capa sobre a adaga e murmurou num tom ameaçador:

- Sim esta já tem dono…

E numa voz mais clara, retorquiu:

- Tens toda a razão, bem preciso de uma. Mas preocupemo-nos agora em chegar à tua aldeia. O sol já passou o cume da montanha, espero que não fique longe.

- Ainda é longe, se apressarmos o passo e se o “Pedro” não se importar de levar mais a vossa sela, quando o sol já não estiver tão alto, deveremos estar a chegar. Faremos apenas uma pequena pausa para comermos, se não vos importardes de partilhar a minha pobre refeição?

- Obrigado bom homem, o meu bornal ficou pelo caminho – e num rasgado sorriso, acrescentou – também já não tinha muita coisa por onde escolher.

Aproveitando a deixa o bufarinheiro, depois de verificar se a sela estava bem acondicionada, retomou o caminho, o burro à frente, ele atrás, o cavaleiro a um passo.

- Julgo que ainda não me disseste porque ficaste tão aterrorizado com a flecha da minha sela, Clarence?

Enquanto admoestava o passo do burro, e alargava o seu, como se pressentisse perigo, o bufarinheiro respondeu, num tom mais baixo que o habitual:

- É uma história longa Senhor, e algumas partes nem eu sei se são verdadeiras…

- O caminho é longo, vamos ter tempo de a ouvir.

- Como quiserdes. Eu vou tentar ser claro. E se por acaso ficardes confuso, tentarei explicar as partes que não compreenderes.

publicado por McClaymore às 12:39
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Terça-feira, 5 de Julho de 2005

O Provedor dos Leitores (3ª intervenção)

Esta missiva foi recebida em mão, continuamos a não divulgar as identidades dos nossos leitores por motivos de força maior, esta vem apenas com as iniciais OMO:

 

“Exmos. Srs.,

Lamentamos que se refiram à nossa concorrência, sem querer entrar pela via do contraditório, informamos apenas que vamos intervir mais activamente na vida política portuguesa, especialmente na promoção dos glutões.”

 

Resposta do Provedor:

 

“Agradecemos que mantenham a vossa campanha no espírito do «lava mais branco», glutões já nos temos em quantidade suficiente no país.”

 

Carta de um leitor identificado como Skip:

 

“Caríssimo,

Aceitamos desde já as vossas sugestões, vamos ampliar a nossa campanha e tentar que a Barbara se submeta aos diversos testes que os nossos directores de campanha estão a idealizar. Se por acaso não ganharmos a eleições será com bastante pena, mas nunca assumiremos que a falta de ideias foi nossa.”

 

Resposta do Provedor:

 

“Falem menos e dispam a Barbara, vão ver que a campanha desce mais um bocadinho de nível mas sobe para níveis de interesse nunca vistos. Obrigado pelas amostras.”

 

Outra carta do MMC:

 

“Sr. Provedor,

Fui abandonado, de uma maneira cruel e humilhante, para além disso o meu maior apoiante, veio com um fato sem marca e amarrotado ao meu evento.”

 

Resposta do Provedor:

 

“Pois, pois, nós já o tínhamos avisado. E você continua a querer fazer disto um consultório sentimental. Quanto ao seu amigo, diga-lhe para mudar de alfaiate e de assessor, ou então do local onde faz a limpeza a seco. Em último caso submeta tudo isso ao «choque tecnológico» que ele andou a prometer noutras campanhas. Outro conselho, e este é de graça: mude rapidamente de marca de detergente, acho que o que está a dar são os glutões.”

 

Uma carta do Largo do Rato:

 

“Exmo. Sr.,

Já que não conseguimos nada do Presidente agradecemos que despeça o Provocador. Os seus bons serviços são um empecilho nefasto para o partido e quando o nomeamos não esperávamos a sua total independência.”

 

Resposta do Provedor:

 

“Isto não é o local ideal para discutirmos estes assuntos.  Você queria dizer era Procurador, não é? Sinceramente essa competência extravasa as minhas modestas funções. Para além disso já tenho problemas que cheguem com as chefias da casa que me passam a vida a apontar a porta da rua. Aconselho-o para a próxima, ver se arranja um que seja mais manobrável. Mas depois de ter um Presidente, uma maioria, não acha que dava nas vistas, ter também um Procurador?”

 

Notas do Provedor:

 

Não me pagam para isto. Definitivamente ainda me despeço por justa causa, esta coluna está a perder o fim a que se propunha. Para além disso, soube agora que os nossos amigos do “Gato Fedorento”, cortaram as relações com a SIC, fico triste.

 

Notas do McClaymore:

 

Eu nunca disse que o cargo que V. Exa. se comprometeu a assumir era fácil. Isto não é como as campanhas políticas, promessas que não se cumprem aqui não têm qualquer cabimento. Agradeço o pedido de vermos todos a Barbara em lingerie. Quanto ao “Gato Fedorento”, vou apenas dedicar-lhes uma prosa do tio Olavo do Edson Athayde: “Existem mil maneiras de se esfolar um gato. Mas só uma dá prazer ao gato.”

Acho que vou convidar o tio do Edson para Provedor, pelo menos tem mais piada que o gajo actual.

publicado por McClaymore às 14:49
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“Carrilho corta Marketing para distribuir aos idosos…”

Ia eu a pensar que já tinha visto de tudo e eis senão quando, numa esquina duma montra envidraçada, qual miragem no deserto, reparo que o Skip anda de maus dadas com a política.

Aquele símbolo não enganava ninguém, e pela quantidade de pessoas, julgava eu, estavam a distribuir amostras grátis do detergente.

Mas não, afinal, era apenas o Manuel Maria Carrilho que estava em campanha, eu ainda pensei que ele ia despejar um bocado de azeite e tinta no vestido da Barbara, para depois fazer o teste de limpeza, tal qual como no anúncio, mas a rapariga envergonhada nem lhe deu tempo para isso.

Perdeu-se um momento histórico, apenas conseguido quando o nosso Primeiro Ministro com o fatinho amarrotado, botou discurso.

Depois de despedirem o Edson Athayde, os momentos de publicidade do Skip nunca mais foram o mesmo (desculpem os anúncios do Carrilho), se fosse com ele, decerteza absoluta teríamos visto a Barbara em lingerie e o fato do Primeiro bem engomado.

Se eu fosse detergente, começava a ficar preocupado com a minha má imagem. O truque de dizer que vai gastar menos em marketing, para distribuir pelos idosos e crianças, é bonito, mas depois deste pequeno incidente, eu como detergente, deixava era de financiar a campanha.

A não ser que aproveitem e como diz o título do post, roubado hoje do DN da página 12, para acrescentar:

“Carrilho corta Marketing para distribuir aos idosos umas amostras de detergente…durante os próximas quatro anos.”

 

P.S.: Tenho mesmo que vender esta ao detergente, o que não se consegue com publicidade indirecta. O problema é que se a moda pega, o actual governo, ainda começa a pensar em campanhas similares e passa a pagar as grandes amostras dos ordenados dos deputados em amostras verdadeiras…ou verdadeiras amostras, como preferirem.

publicado por McClaymore às 12:24
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Sexta-feira, 1 de Julho de 2005

Linux VS Open Source.

Um comentário ao meu post: LINUX VS MICROSOFT, obriga-me a fazer publicidade ao Olha o Elefante, o título do post é um bocado violento, pelo que deixo apenas o texto:  

 

“Theo de Raadt, um dos pioneiros em defesa do software livre e fundador de projectos como OpenBSD e OpenSSH, fez umas declarações polémicas á revista Forbes nas quais assegura que «toda a gente está a usar o Linux e ninguém se apercebe do mau que é», acrescentando que os seus partidários o defendem em vez de dizerem: «Isto é lixo e deveríamos arranjá-lo».

Nestas declarações, citadas pelo DiárioTI, De Raadt refere-se de maneira muito dura ao Linux, sistema rival do OpenBDS, do qual ele é um dos principais mentores.

Segundo Theo de Raadt, ao contrário do Linux, «que é um clone do Unix», o Open BSD baseia-se numa variante do Linux chamada Berkeley Software Distribution, relacionado com um dos melhores sistemas operativos do mundo, Solaris de Sun e OS X da Apple.

Raadt assegura que o Linux não aspira a ser um sistema de qualidade, e que o seu desenvolvimento se baseia no ódio à Microsoft.”

 

A pesquisa, no Google levou-me a um artigo do Daniel Lyons da Forbes, o link está aí. Para quem não se quer chatear a segui-lo, deixo depois o artigo completo.

 

Is Linux For Losers?

 Daniel Lyons, 06.16.05, 6:00 PM ET

 

NEW YORK - Theo de Raadt is a pioneer of the open source software movement and a huge proponent of free software. But he is no fan of the open source Linux operating system.

 

"It's terrible," De Raadt says. "Everyone is using it, and they don't realize how bad it is. And the Linux people will just stick with it and add to it rather than stepping back and saying, this is garbage and we should fix it.'"


De Raadt makes a rival open source operating system called
OpenBSD. Unlike Linux, which is a clone of Unix, OpenBSD is based on an actual Unix variant called Berkeley Software Distribution. BSD powers two of the best operating systems in the world--Solaris from Sun Microsystems (nasdaq: SUNW -news - people ) and OS X from Apple Computer (nasdaq:AAPL -news - people ).


There are three open source flavors of BSD--FreeBSD, NetBSD and OpenBSD, the one De Raadt develops, which is best-known for its security features. In a sort of hacker equivalent of the Ford-versus-Chevy rivalry, BSD guys make fun of Linux on message boards and Web sites, the gist being that BSD guys are a lot like Linux guys, except they have kissed girls.


Sour grapes? Maybe. Linux is immensely more popular than all of the open source BSD versions.


De Raadt says that's partly because Linux gets support from big hardware makers like Hewlett-Packard (nasdaq:
HPQ -news - people ) and IBM (nyse: IBM -news - people ), which he says have turned Linux hackers into an unpaid workforce.


"These companies used to have to pay to develop Unix. They had in-house engineers who wrote new features when customers wanted them. Now they just allow the user community to do their own little hacks and features, trying to get to the same functionality level, and they're just putting pennies into it," De Raadt says.
De Raadt says his crack 60-person team of programmers, working in a tightly focused fashion and starting with a core of tried-and-true Unix, puts out better code than the slapdash Linux movement.


"I think our code quality is higher, just because that's really a big focus for us," De Raadt says. "Linux has never been about quality. There are so many parts of the system that are just these cheap little hacks, and it happens to run." As for Linus Torvalds, who created Linux and oversees development, De Raadt says, "I don't know what his focus is at all anymore, but it isn't quality."


Torvalds, via e-mail, says De Raadt is "difficult" and declined to comment further.


De Raadt blames Linux's development structure, in which thousands of coders feed bits of code to "maintainers," who in turn pass pieces to Torvalds and a handful of top lieutenants.


The involvement of big companies also creates problems, De Raadt says, since companies push their own agendas and end up squabbling--as happened recently when a Red Hat (nasdaq:
RHAT -news - people ) coder published an essay criticizing IBM's Linux programmers.


There's also a difference in motivation. "Linux people do what they do because they hate Microsoft. We do what we do because we love Unix," De Raadt says. The irony, however, is that while noisy Linux fanatics make a great deal out of their hatred for Microsoft (nasdaq:
MSFT -news - people ), De Raadt says their beloved program is starting to look a lot like what Microsoft puts out. "They have the same rapid development cycle, which leads to crap," he says.


De Raadt says BSD could have become the world's most popular open source operating system, except that a lawsuit over BSD scared away developers, who went off to work on Linux and stayed there even after BSD was deemed legal. "It's really very sad," he says. "It is taking a long time for the Linux code base to get where BSD was ten years ago."


Lok Technologies, a San Jose, Calif.-based maker of networking gear, started out using Linux in its equipment but switched to OpenBSD four years ago after company founder Simon Lok, who holds a doctorate in computer science, took a close look at the Linux source code.


"You know what I found? Right in the kernel, in the heart of the operating system, I found a developer's comment that said, 'Does this belong here?' "Lok says "What kind of confidence does that inspire? Right then I knew it was time to switch."

publicado por McClaymore às 13:29
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