Sexta-feira, 2 de Setembro de 2005

Crónicas de um Rei sem trono. (continuação V)

Capítulo I

 

Os Deuses habitam no coração dos homens enquanto estes se lembrarem que precisam Deles…

 

Entraram num edifício enorme que certamente era o centro daquele enorme templo. As paredes conservavam as cornijas e aqui e ali pequenas inscrições. A abobada, aqui em pedra, recortava sombras nos pilares por aberturas altas e arredondadas, acentuava as gárgulas e imprimiam uma atmosfera de reflexão. Bem no centro uma ara de pedra tosca e fria, mostravam que ali se reuniam pessoas para cerimónias e ritos, se o local não estivesse tão frio e sem vivalma, poderíamos facilmente imaginar uma centena de vultos compenetrados a tentar salvar almas e a pedir as benesses dos deuses. Mais atrás, encostado às grossas paredes umas quantas cruzes em pedra iguais à que tinham encontrado junto à encruzilhada da ponte. Aqui o tempo parecia que não tinha passado por elas as inscrições e os símbolos estavam decalcados pelo cinzel, como se tivessem sido acabadas de esculpir e não deixavam quaisquer dúvidas, se é que restassem, na santidade do lugar.

Num canto, sem cerimónia viam-se algumas cinzas de fogueiras mal apagadas e algum lixo, que demonstrava que aquele lugar já havia servido mais do que uma vez para refeições e paragens de viajantes que ainda se a aventuravam por aquelas terras.

- Chega cá “Pedro” – chamou o bufarinheiro – deixa que e alivie da carga, depois podes ir até lá fora, petiscar umas quantas ervas, à falta de melhor jardineiro…

O burro sentindo que o iam aliviar do fardo, manteve-se firma enquanto as mãos rápidas e experientes do homem, desfaziam os nós das cordas, tiravam as mercadorias e desembaraçavam destramente a cilha. Depois de tirá-la, retirou ainda a corda do cabresto e com uma palmada sólida empurrou o asno pela portada, para o largo pátio.

O asno cheio de alívio desatou às cangochas e aos coices, rodopiou de alegria e espojou-se, repisando a erva e coçando-se com alegria. Mais calmo e pacificado por esta liberdade precária, começou a pastar calmamente, depois de passar junto à fonte e beber fugazmente no tanque onde a água ia desaguar.

O dono não deixou de esboçar um sorriso ténue e imaginar que o pequeno quadrúpede lhe fazia lembrar os cavalos selvagens que de vez em quando apareciam a galopar no horizonte das suas viagens.

A pergunta do cavaleiro trouxe rapidamente Clarence para a realidade:

- A água é boa?

A resposta do mercador demonstrou alguma preocupação, depois, de pensar uns segundos respondeu:

- Dificilmente alguém a consegue envenenar a fonte, a sua água provem de uma mina, bem profunda e ninguém conhece onde ela fica, e se alguém o sabia, seriam os druidas que aqui habitavam e esse segredo, morreu com eles. Podiam outro sim, envenenar o tanque. Mas julgo que não o fizeram, a estas horas, o meu pobre burro já cá não estava para o contar.

- Espero bem que não bom homem. Lamento ter-te dado essa preocupação, mas nestes tempos os incautos infelizmente vivem muito pouco tempo.

- Compreendo, mas pelos vistos ainda ninguém se lembrou de tal barbaridade, ter que começar a ter mais cuidado para as próximas vezes que vier por este lados. Agora se não vos importardes de partilhar comigo a minha modesta comida e a minha bebida, convido-vos para uma refeição…

- Pensava que não perguntavas, morro de fome meu amigo, qualquer comida e bebida serão bem vindas…

- Vou começar à procura de ervas secas e alguma madeira velha que vai caindo por aí dos antigos sobrados e das empenas que ainda restam, demoro pouco, enquanto isso aproveitai para vos refrescardes um pouco Sir McClaymore.

publicado por McClaymore às 14:36
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