Segunda-feira, 13 de Dezembro de 2004

“Feci quod potui, faciant meliora potentes.”

latim “Fiz o que pude, façam melhor os que puderem.”

Quando o Eng. Guterres ganhou as eleições, as expectativas geradas no povo português foram enormes.

Em primeiro lugar pelo estilo de governação do seu antecessor, o Prof. Cavaco Silva, ter tomado as medidas impopulares que tomou, efectivamente governou com um sentido demasiado pragmático e sobretudo bastante economicista, o que levou a que o seu mandato e os seus objectivos não fossem cumpridos.

Critiquei sempre todo e qualquer modelo económico que se baseie num estilo macro económico, porque, ou as pessoas que o estão a aplicar não compreendem a nossa economia ou estão demasiado apegados a um estilo que não se coaduna com a nossa triste realidade.

Ao inverter os campos da economia e da reforma fiscal, que eram letra desde o tempo de Salazar e foram continuamente aplicados nos governos seguintes, o Prof. Cavaco Silva teve o condão de mandar a “pedrada no charco”, necessária para que todo o nosso sistema se renovasse e entrasse no bom caminho. Efectivamente critiquei os métodos do Prof. Cavaco Silva, não pela justeza da sua aplicação, mas pela forma. Poderia, sem por em causa os seus objectivos, que não os políticos, aplicar o seu modelo, com calma e parcimónia. Não o fez, quis mudar o sistema demasiado rapidamente, mas fê-lo tão rapidamente que os que o apoiavam, sentiram que se se mantivesse, sairiam com as suas imagens “políticas” chamuscadas.

O Prof. Cavaco Silva teve ainda o condão de começar uma reforma fiscal que de certo modo não interessava a certos sectores. Esse sistema enraizado e bolorento que após a sua saída regrediu e voltou ao início. Por incrível que pareça depois dele nunca mais houve governo que tivesse a coragem de a continuar. Bem pelo contrário, voltamos à estaca zero, voltamos ao modelo ante 25 de Abril. Os ditos socialistas, que depois dele tomaram de assalto o poder, regrediram no tempo e nas reformas. Elas eram mais do que necessárias e infelizmente passados estes anos todos continuamos exactamente no mesmo caminho: os sistemas fiscal e económico são retrógrados e terceiro mundistas, não devemos aqui alienar o papel do Eng. José Sócrates.

Após seis meses de governação do Eng. António Guterres, almocei com um amigo, cujo “clube de futebol” é o Partido Socialista (sic), e que durante o almoço me inquiriu sobre o meu estado de satisfação:

“- Então deve estar contente? Agora o seu inimigo de estimação, o Cavaco, já lá não está. Vai ver agora com o Eng., isto anda para a frente.”

Limitei-me a sorrir e a retorquir:

“- Sabe perfeitamente que apenas critiquei o Prof. Cavaco Silva, não pelas medidas, mas pela rapidez com que as queria aplicar. Não aceito que medidas de fundo sejam aplicadas sem se satisfazer outras. O princípio dos vasos comunicantes é aplicado em economia também. Ao esvaziarmos um teremos que encher rapidamente os outros na mesma proporção. Mas desde já lhe digo, passaram seis meses, vamos deixar passar outros seis, aí julgo que pelo rumo que isto está a tomar ainda vamos os dois estar aqui a almoçar e a dizer: volta Cavaco, estás perdoado.”

Bem esse meu amigo almoçou comigo passados meses, já não sei quantos, pagou ele, por vergonha talvez, e não tocou no tema que tínhamos discutido anteriormente, pela cara dele devia custar-lhe engolir aquela refeição. Eu educadamente não toquei no assunto, já me bastava ter razão.  

O que me incomoda aqui na verdade não é propriamente ter ou não ter razão, é saber que com ou sem ela, os governos posteriores aos do Prof. Cavaco Silva, mesmo os do partido dele, e usando muitas vezes o nome dele, o fazem em vão.

Eu sei que muitos dos sectores da sociedade portuguesa, inclusive já vi o Pacheco Pereira a fazê-lo, o querem de volta, mas acham que o homem depois do que passou nos quer a nós? Acho até que o Salazar se ressuscitasse agora, tornava a morrer outra vez…de riso claro.

Vamos ficar expectantes com o próximo governo. Se ganhar o Eng. Sócrates (eu já me estou a ver como o alentejano “otro engenhero”), espero que tenha a coragem de fazer alguma coisa e tenha a lição bem estudada. Quanto ao Santana, não quero sequer imaginar o seu regresso, é um quadro negro que agora não me interessa sequer extrapolar…

publicado por McClaymore às 12:58
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