Quarta-feira, 15 de Setembro de 2004

"Lapsus calami, lapsus scribendi..."

latim "Erro de pena, um lapso no escrever..."

 

Cometi um lapso enorme, esqueci-me completamente de colocar nos meus links uma grande amiga e este post é única e exclusivamente para me penitênciar.
O último post dela é uma pérola, aconselho vivamente que passem pelo sítio da Inconfidente.

publicado por McClaymore às 15:30
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Terça-feira, 14 de Setembro de 2004

Direito de resposta.

Lamento profundamente a polémica relativa ao meu post anterior. Depois de ter visto os comentários relativos ao assunto lá exarado, fiquei com a sensação que a mensagem que eu quis transmitir não foi compreendida. O meu “machismo” deixa-me discernimento suficiente para afirmar o seguinte: todos nós de uma maneira ou de outra defendemos a vida. Não discuto quando ela começa e quando ela acaba. O assunto é demasiado delicado para ser tratado neste simples post.

Se me perguntarem se sou contra ou favor do aborto é obvio que tenho a minha opinião, mas ela baseia-se em causas e não na nossa realidade. Em primeiro lugar acho que o aborto deveria ser despenalizado, eu como homem tenho uma intervenção meramente básica e reprodutora. Desenganam-se os meus amigos que pensam o contrário, é claro que esse patamar é sobreposto a outros quando inseridos na sociedade em que vivemos. Esta particularidade redutora não nos tira a importância de sermos pais, somos, quando nos responsabilizamos, tanto na concepção, tanto como na educação dos filhos. Se por acaso a nossa classe política estivesse mais preocupada em educar do que em trazer à baila temas que eles sabem de antemão trazem fissuras no relacionamento entre as pessoas, teriam a coragem de admitir que o tema não tem discussão. Os mesmos que defendem a vida, os mesmos que defendem a não utilização de contraceptivos, deveriam fazer um exame de consciência relativamente à posição extremada que têm. Deveriam antes que tudo de garantir um futuro para aqueles que irão nascer e não uma quantidade enorme de dívidas e dúvidas sobre o que será a sua vida no amanhã. Como pai estou profundamente preocupado, a mãe dos meus filhos obviamente também. A concepção deles foi um acto pensado e reflectido, estavam em causa outros sentimentos também que obviamente pesaram no nascimento deles, mas isso não invalida de que se a determinado momento da sua gestação eu tivesse por exemplo de escolher entre a vida deles e a continuação da vida da mãe, julgo que seria desnecessário perguntar qual delas escolheria. Não estaria a fazer o papel de Deus, estaria apenas a optar entre ter uma mãe para os meus filhos ou ter um filho sem mãe. É aqui, que as opiniões divergem, eu sei, mas os do sexo masculino deveriam sempre, outra vez, de ter em conta que o aborto, quer queiramos quer não é um “problema” no feminino, elas é que deveriam dar a sua opinião. O acto em si é uma opção que nos podemos considerar certa ou errada, nada mais. O acto de legislar pertence aos políticos, gostaria que eles e alguns de opinião contrária, as deixassem a elas como pessoas responsáveis que são, que decidam o seu futuro e o direito de ter ou não ter filhos, que não nos tratem, a nós como futuros e actuais pais, e a elas como futuras e actuais mães, como objectos de uma disputa irracional e sem nexo. Nós sabemos o queremos, portanto temos o direito de as deixar optar. Elas sabem o que querem, deverão de ter o direito de optar. Não é por considerarmos que esse acto como um crime que deixará de se praticar.

No meu post anterior quis apenas atacar a classe política que desde os tempos da outra senhora nos trata como irresponsáveis, incultos, e pior ainda sem o direito a ter opinião. Infelizmente este é o quadro, tanto à direita como à esquerda que nos é apresentado. Não quero fazer disto um panfleto político mas este caso é só mais um para que as nossas atenções deixem de estar centradas no essencial.

Já se perguntaram qual vai ser o nosso futuro? Qual vai ser o futuro dos nossos filhos? Quem é que me manda a mim meter-me nestas discussões? Que pena vai ter o Bibi? O Ferro também é culpado? E o Pedroso? E o Benfica é desta que ganha o campeonato? Quanto é que ganha o Pinto da Costa? E o gestor da EDP? O que é que eu ganho com isto? O Binoc já conseguiu ter sexo? Sexo, o que é isso? Porque é que deram o nome de um gajo russo a um furacão? Afinal quem manda nos EUA? E no Iraque? Quem é que precisa de petróleo? Bush ou Kerry, qual dos ketchups é que escolhia?

“Sorry, this mission is aborted…, try another round…, game over...”

publicado por McClaymore às 13:57
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Segunda-feira, 13 de Setembro de 2004

Sobre o aborto...

Sou um defensor profilático da vida. Eventualmente aqueles que dizem mal dele devem sempre dar graças a Deus, pois se na altura em que foram concebidos essa prática fosse corrente e permitida, dificilmente estariam entre nós a lutar contra ele. Na verdade, pensando bem eu sou defensor do aborto, com ele não teríamos a quantidade enorme de “abortos” na vida pública e política que mais parecem defensores e “irmãos” de uma qualquer “espécie” em vias de extinção. Defendo ainda a eutanásia e o “seppuku”, em casos extremos, os nossos políticos são exímios a utilizar esses métodos, no entanto e para nosso mal continuam, qual almas penadas, a infernizar as nossas vidas e a levar os lautos ordenados para casa.

publicado por McClaymore às 16:35
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“ab hoc et ab hac.”

latim ”Disto e desta. Discorrer alguém sobre o que não entende.”


 

O termo hermenêutica provém do verbo grego herméneuein e significa declarar, anunciar, interpretar ou esclarecer e, por último, traduzir. Significa que alguma coisa é "tornada compreensível" ou "levada à compreensão". Não há certeza filológica, mas só probabilidade de que o termo derive de Hermes, o mensageiro dos deuses, a quem se atribui a origem da linguagem e da escrita. O certo é que já exprime a compreensão e a exposição de uma sentença dos deuses o qual precisa de uma interpretação para ser apreendido correctamente.

Estranhamos sempre todo o sentido da vida. Questionamos com fervor, cada loquaz momento em que nos defrontamos com alguma dificuldade. Tentamos sempre que os outros transportem um pouco da nossa culpa, é mais fácil do que suportá-la sozinhos.

Quando nos deparamos com alguma dificuldade, atribuímos sempre a terceiros os escolhos que nos barram os caminhos da glória ou da perdição.

Gostamos de jogar, mas jogar pelo seguro, distribuímos as cartas, guardando sempre as melhores para nós. Acreditamos em espíritos desde o homem das cavernas, acreditamos em política, nos políticos, pagamos-lhe para eles terem ideias, damos-lhes cargos e honrarias, suportamos as suas decisões sem revolta, instituímos nos tempos que correm um novo tipo de “Idade Média”, mas mais civilizada. Esquecemos os valores básicos de toda a nossa existência. Deixamos de acreditar em impossíveis, mas quando olhamos para o lado e vimos a miséria, a falta de cultura, a falta de paixão em toda a humanidade e não nos perguntamos a nós próprios qual o nosso papel, qual o sentido para onde caminhamos. Rotulamos novos conceitos, novas ideologias, novas doenças, novas ciências e até novas religiões. Transformamos o mundo num autêntico caldeirão de demagogia, sustentada por um capitalismo feroz, uma ânsia de viver à custa de resultados infinitos e de um usurpar de identidades. Fenecemos lentamente à procura de uma eternidade que tarda, e de que como seres humanos sabemos que é impossível de alcançar. Morremos num obscurantismo atroz a discutir notícias e factos que não interessam a ninguém, mas que nos afectam dia a dia. Fazemos filosofia barata na esperança que de algum modo alguém nos leia, que alguém nos imprima alguma luz. Essa filosofia que enaltece as almas, que nos obriga a pensar, já não é, felizmente, apanágio e redil de alguns iluminados, propagou-se, tornou-se propriedade “freeware”. Defendemos sempre a propriedade material, mas transformamos a propriedade intelectual num monumento ao plágio. Acabamos de criar um monstro, não aceitamos a critica como um simples acto de recriar e outros criticam só por criticar. Muitos, e não são tão poucos como isso, já se julgam Deus ou pior ainda pegam no telefone e pensam que estão a falar com Ele.

Enlouquecemos lentamente e transmitimos a nossa loucura como um vírus, esquecemos que estamos irremediavelmente perdidos, nesta nossa ânsia de agradar e sermos imortais.

Seria mais simples reconhecer que somos um pontinho no universo, que não interessamos a ninguém e que as nossas palavras, se alguém as ler, terão o efeito de uma gota de chuva no meio de um oceano batido por um furacão.

Ao defendermos as nossas ideias, estamos de forma a tentar que os outros pensem o mesmo ou as sigam. Não aprendemos com os erros da história. É verdade que nem sempre aquilo que nos transmitem é a realidade. Nunca devemos esquecer que essa “verdade”, essa parte da história é sempre escrita pelos vencedores. Tentamos responder às nossas necessidades com mais necessidades. Não havendo limites, os fortes impõem aos mais fracos, independentemente da sua identidade, ou dos meios utilizados, a sua vontade. Podemos sempre falar em casos extremos, vimos isso acontecer em pleno século XX, continuam por este século fora. Quando pararmos, talvez seja tarde demais, eu já não acredito na redenção, simplesmente acredito, espero que haja alguns com eu, que o simples facto de transmitirmos alguns valores aos nossos filhos e àqueles que nos lerem, que talvez consigamos sobreviver, talvez com um bocado de boa vontade e de fé, alguns de nós renasçam e continuem a saga que começamos à milhões de anos atrás, não como macacos, mas sim como simples seres humanos.

 


PS: Perdoem-me os meus amigos seguidores de Merleau-Ponty e aos defensores da Fenomenologia como extensão da Hermenêutica. Continuo a achar que as leis de Murphy são a melhor maneira de combater os Darth Vader do Universo.

publicado por McClaymore às 15:38
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Sexta-feira, 10 de Setembro de 2004

"Forsan et haec olim meminisse juvabit."

latim “Talvez algum dia nos seja agradável recordar estas coisas.”

 

Agradeço os vossos pedidos para voltar. Como qualquer “bloguista maníaco” que se preze (detesto o papel de “Prima Donna” que volta ao palco 10 vezes para agradecer), fiz uma pausa de reflexão. Sobretudo porque sou um perfeccionista, não confundir com narcisista, ambos gostam da perfeição, só que os últimos só se revêem nela ao espelho. Acontece-me, como a qualquer ser humano, que estou numa fase má: tenho as ideias e os ideais que me norteiam um bocadinho “baralhados”, para além disso estou numa fase de “laissez faire, laissez passer”. Continuo a visitar regularmente os vossos blogs e a ler atentamente os vossos post, já sei que vai haver para aí uma jantarada promovida pelo Finúrias, aproveito para linkar esse blog ao meu. O blog dele tem um nome pouco simpático mas é deveras interessante, que mais não seja vai tentar meter no mesmo restaurante pessoas que só se conhecem pelas ideias que extravasam no teclado (espero sinceramente que corra pelo melhor). Eu não vou estar pelo menos fisicamente, mas vou estar em espírito (gosto imenso de preservar a minha intimidade e como sou coxo, vesgo e barrigudo, iria certamente transformar esse jantar numa reposição do “Notre Dame”, com efeitos colaterais funestos para futuras reprises). Mais um bocadinho de publicidade agora às Palavras ao Vento, que merece efectivamente uma visita mais demorada, a uma luzinha ao fundo do túnel chamada À Luz de uma Vela e ao Azul do Mar. Tenho ainda mais uns quantos para divulgar nesta minha saga, mas para não os cansar mais deixo apenas estes.

 

PS: Qualquer efeito de cinismo nas minhas palavras, deve-se única e exclusivamente a uma descarga de bílis mal controlada. Mais uma vez as minhas desculpas, os “post scriptum”, costumam ser mais leves e efectivamente não escrevi este para duplamente me justificar, apenas para que os meus amigos não se sintam abandonados pelas minhas palavras e não me julguem pela falta de inspiração.

E vamos lá a continuar f.f., lá por morrer uma andorinha não acabou a primavera.

publicado por McClaymore às 14:51
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