Quinta-feira, 28 de Outubro de 2004

"Mutatis Mutandis."

latim "Mudando-se o que se deve mudar."

 

Eu ainda não compreendi uma coisa que me está a deixar completamente confuso. Em primeiro lugar porque como todo o português que se preze, admirava e continuo a admirar a veia comentadora do Prof. Marcelo Rebelo de Sousa. Como tal não gostei da maneira como ele foi tratado. Mas aqui ficam uma série de perguntas sem resposta: o Prof. Marcelo era comentador ou jornalista?

Se era comentador, e como tal era pago para isso e estava integrado nos quadros de uma empresa é obvio que a latitude a que estava habituado um dia ia ficar com uma malha mais apertada. Quando uma pessoa tem uma relação de trabalho com uma empresa, independentemente do tipo de relação, ela não lhe permite de modo algum entrar em confronto com a política de gestão da mesma, pelo que só tem um caminho ou aceita que os seus parâmetros sejam restringidos ou não os aceita e pede a demissão. Foi sempre o que fiz na minha vida, quando não concordava com aquilo que me queriam impor, apresentava a minha demissão, logo que achasse que o conceito dessa restrição ia contra aquilo que eu achava correcto. Por isso acho que a demissão do Prof. Foi um acto puramente administrativo: ele não concordou com as baias que lhe impuseram e demitiu-se. Não vi e não continuo a ver qual a falta de liberdade de imprensa que justifique o alarido feito pelos políticos, pela classe jornalística, nem pela que intervenção da Alta Autoridade para a Comunicação Social. O Prof. Marcelo não dava notícias, era comentador, portanto não tinha que ter isenção e como tal ela só lhe foi negada por interesses da empresa que lhe pagava o trabalho.

As intervenções do Governo não são desculpáveis, de modo algum, ainda não aprenderam a não dar tiros nos pés, estão verdes. Também coitadinhos são poucos os que não pertenceram ao elenco de um filme do Walt Disney: “Branca de Neve e os sete anões”, “O Rato Mickey e os seus amigos”, “O Dumbo”, escolham vocês…pelo menos vão rir um bocadinho.

O Sindicato dos Jornalistas e alguns jornalistas, tão rápidos a criticar este caso e outros mesmo a nível internacional, esqueceu-se de criticar o que alguns jornais nos E.U.A. transmitiram esta semana, o apoio incondicional a Kerry. Ainda bem que esses mesmos jornais não apoiaram Bush, teríamos durante semanas manchetes de “jornalistas isentos” a criticar a falta de isenção da imprensa dos E.U.A.

Este tipo comezinho de contradições demonstra bem o empolamento, a falta de honestidade que grassa numa classe que deveria ser isenta, mas que faz como os árbitros do nosso futebol, ou não vê porque está a olhar para o ar, ou finge que não vê.

Fico triste que o Prof. nos deixe de brindar com as suas brilhantes alocuções, mas deixem estar se ele se candidatar a Belém ainda vamos pedir de joelhos à TVI para o receber de volta.

Na verdade eu não deveria estar a falar sobre este assunto mas um que infelizmente é bem mais grave e foi nitidamente abafado pelo caso anterior.

Lembram-se do Zé Manel, aquele tipo que emigrou para Bruxelas para ser Presidente duma comissão qualquer?

Tenho a impressão que lhe vão dar o bilhete de regresso e os cenários que se avizinham não são nada prometedores. Se ele perder o lugarzinho ainda vem outra vez para 1º Ministro. Temos que rapidamente arranjar uma lei que nos permita devolver produtos e Primeiros-Ministros com prazo de validade ultrapassado.

E meus amigos, este filme é muito sério, de autêntico terror e não tem mesmo nenhuma piada…

publicado por McClaymore às 21:17
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Sábado, 23 de Outubro de 2004

Portugal dos pequeninos...

A Lique tem toda a razão em dizer que não quer nenhum país a servir de polícia do mundo, ainda por cima governado por um imbecil. Concordo perfeitamente com ela.

Ontem o meu filho perguntou-me se o Kerry ganhar o que é que muda. Comecei por lhe fazer uma análise mais consistente do problema global que é a política do governo americano. Expliquei-lhe que o que ainda me confunde e que ninguém ainda compreendeu, salvo raras excepções, Portugal é o único País nesse mundo fora que muda a sua postura internacional todas as vezes que temos novo governo. As linhas condutoras dos nossos políticos dependem sempre do estado em que se encontram: oposição ou poder.

São incapazes de concluir algum projecto em termos nacionais, quanto mais a nível internacional. A arrogância de quem está no governo é apenas comparada a bestas de carga em que apenas se lhes permite ver em frente, manobradas por umas rédeas soltas e que lhes deixa olhar de vez em quando para o próprio umbigo. Aqueles que tentam mudar um pouco as coisas, normalmente, e infelizmente, desistem pelo cansaço de tentar que a manada os siga.

Quanto aos Estados Unidos o caso muda de figura. Aqui contam os interesses do país e não os interesses individuais de quem está no poder, nem as suas linhas políticas, os democratas e os republicanos poderão não ter as mesmas ideias de como se conduz o País internamente, mas continuarão na mesma linha de controlar o poder a nível mundial.

Mesmo que alguma coisa venha a mudar podemos colocar uma série de cenários: o Bush ganha, tudo vai continuar na mesma, os países da OPEP vão continuar a puxar os preços do petróleo para cima, de forma a que, quando o Iraque começar a vender a sua produção eles já tenham conseguido aumentá-lo o suficiente para que não baixe mais. É essencial que todo o dinheiro que conseguirem agora, continue a jorrar e a alimentar o fausto de alguns, o poder militar de outros, no fundo e seguindo o exemplo dos políticos portugueses: “o povo que se lixe, logo que os nossos rendimentos continuem iguais.”

Cenário dois, o Kerry ganha, há um aumento significativo de vendas de maionese e de ketchup. A Microsoft e a Coca-Cola, vão à falência porque os países árabes e Portugal, deixaram de comprar os seu produtos. Os soldados americanos, depois das eleições, abandonam o Iraque à sua sorte. O Irão e os radicais do islamismo tomam conta do país, Israel fica cada vez mais isolado, a OPEP continua a aumentar os preços. O Santana Lopes na sua ânsia de fazer buracos encontra petróleo e os nossos problemas ficam resolvidos. O PS ganha as eleições e manda retirar a GNR do Iraque, para nos defender da próxima invasão por parte dos americanos, aliados aos espanhóis que querem tomar de assalto as nossas reservas petrolíferas.

Portugal e os portugueses, eu incluído devemos ter em conta o seguinte, não representamos qualquer contra poder a nível internacional. Mesmo em bicos de pés a nossa opinião não conta. Infelizmente temos que viver com esse estigma e na certeza que ganhe quem ganhar nos E.U.A. continuamos pequeninos e sem qualquer influência na condução do xadrez mundial. Admiro alguns dos nossos políticos que esbracejam contra o Bush e contra a sua política mas são incapazes de lidar com os problemas nacionais. Eu tenho uma pergunta que gostaria de deixar e que ainda ninguém me conseguiu responder: O Mayor de Nova Iorque tem mais habitantes, mais departamentos, mais polícias, mais bombeiros, mais soldados, etc., para gerir do que o primeiro-ministro de Portugal. Ele consegue fazê-lo. Não está na hora de nós lhe pedirmos para ele se candidatar por cá?

publicado por McClaymore às 15:36
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Quinta-feira, 21 de Outubro de 2004

"Homo homini lupus."

latim</span></i> "O homem é lobo para o homem."

Li, como leio sempre, com muita atenção as linhas que o Miguel Portas escreve no DN. Não é preciso fazer elogios à sua escrita, está na massa do sangue, é de família. Mesmo não tendo grande consideração pela classe política deste País, levo em consideração as ideias que ele imprime.

Noutro artigo, menos recente passou também pelos meus olhos um artigo que se referia a um homem do Vaticano, onde ele dizia que já havia começado a 4ª guerra mundial. Eu tenho por hábito guardar as minhas opiniões e não expô-las a terceiros. Mas acho que depois de “ouvir” este dois senhores, tenho o direito de me manifestar.

O que o Miguel Portas diz está correctíssimo em alguns casos, concordo literalmente com ele quando se refere ao tipo de guerra que existe no Iraque, brutal, sem apoio do povo que supostamente está a ser libertado e em defesa de interesses económicos obscuros.

Discordo em algumas, que passo a explicar:

Essa guerra só existe porque a clivagem entre o mundo árabe e o ocidental foi sendo acicatado ao longo destes últimos dois séculos. Foi também por motivos que aparentemente se concentram no aspecto religioso, mas são bem mais profundos. A Bíblia e o Corão estão ligados por laços mais fortes que escapam a um simples leigo ou a fundamentalista radical. Mas são utilizados como armas, Napoleão classificava a Bíblia e o Corão como livros “políticos” e com toda a razão. Infelizmente não aprendemos com ele, não tiramos suficientes lições na história para saber até que ponto, a fissão religiosa iria transformar este mundo num caos. A manipulação de ideais sempre funcionou perante a pobreza e a desilusão. Os fundamentalistas que utilizam os versículos de um e outro lado, esquecem que por detrás das guerras ditas santas, existe uma outra guerra de poder. Esse poder suportado por um ideal feudal, tribal e arcaico, sustenta há gerações senhores que se dizem os únicos detentores da verdade e da representação do povo que agrilhoam. Nunca vi o Miguel Portas revoltar-se contra isto e é aqui, passo a expressão, que ele “peca”. Como pecaram os antecessores dele que nos quiseram dar uma imagem lavada de pureza, liberdade e democracia, onde ela não existe e nunca existiu.

O Miguel sofre de um mal, talvez inculcado pelo seu passado revolucionário e igual a de alguns partidos de esquerda que preferem defender ditaduras, relegando para trás outros aspectos, logo que elas estejam contra a política dos E.U.A.

Não concordo com o postulado dos Estados Unidos em se arrogarem os polícias de todo os males do mundo em que vivemos, mas tenho que concordar com uma coisa: se não fossem eles eram outros, e diga-se de passagem prefiro que sejam eles do que outros que utilizam métodos estalinistas e purgas sistemáticas para arrumar a casa.

Quanto à Igreja Católica pergunto quem lhe deu o direito de se exprimir contra supostas guerras quando foi ela ao longo de séculos que as alimentou e provocou: “Olha para aquilo que digo e não para aquilo que eu faço”.

Não posso acreditar, nem aceitar opiniões de pessoas que nunca se retrataram e apoiaram perseguições, que torturaram, que baniram e que detiveram o poder só para impor dogmas.

Entre eles e a esquerda radical, entre eles e os fanáticos que se matam a eles e a inocentes, existem poucas diferenças: apenas a de esgrimirem as suas políticas e defenderem os interesses obscuros de uma elite que nunca dá a cara.

publicado por McClaymore às 14:54
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“Requiescat in Pace.”

latim “Descanse em paz.”

 

Estou a ficar nitidamente farto deste País de faz de conta. Desta mentalidade mesquinha que nos atacou. Destes políticos brejeiros que fazem promessas que sabem que nunca vão cumprir.

Isto traz-me sempre à lembrança pequenos farrapos de conversas entre amigos, a um com a sua sabedoria feita de batalhas políticas de ideais perdidos, perguntei-lhe um dia a opinião sobre o seu modelo de 1º Ministro, a resposta assaz rápida dele deixou-me perplexo:

“Eu quero um 1º Ministro, que seja rico, rico monetariamente e de ideias.”

A resposta dele deixou ainda no ar outra pergunta:

“Nuno mas tu és comunista, então como é que é? Essas fórmulas da classe operária, aqui não funcionam?”

A contra resposta deixou-me ainda mais pensativo:

“Sou, sou comunista e com muito orgulho, mas não sou parvo. Sabes um 1º Ministro rico tem sempre pena dos pobres. Não quero ninguém para mandar neste País que precise da política nem para subir na vida, nem para ganhar dinheiro.”

Este meu amigo nestas horas amargas que o País atravessa, devia estar a dar voltas na tumba, felizmente quando nos deixou, foi cremado.

 

In memória do Nuno, um amigo de causas perdidas.

publicado por McClaymore às 11:22
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Quinta-feira, 7 de Outubro de 2004

"Alia aetas alios mores postulat."

latim "Outros tempos, outros costumes."

 

E cada vez mais, se vê mais do mesmo.

Eu perco-me por uma boa discussão, faz-me vibrar a paixão das palavras tiradas em supetão e isentas de censura. Já tenho a minha e basta-me, faz-me sempre lembrar uma entrevista dada por um actor, que ao recordar o traço azul que cobria os seus textos, estranhou que um dia lhe cortassem num excerto apenas a palavra “tacho”. Desculpa sensata do censor que servilmente se redimia: “… não é que esteja fora de contexto, mas pode ser interpretado como alguma referência pouco ortodoxa.”

Já não leio George Orwell à muito tempo, tenho que rapidamente tirar a poeira do seu épico “Triunfo dos Porcos”, parece que ainda tenho muito que aprender.

publicado por McClaymore às 00:32
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