Terça-feira, 14 de Setembro de 2004

Direito de resposta.

Lamento profundamente a polémica relativa ao meu post anterior. Depois de ter visto os comentários relativos ao assunto lá exarado, fiquei com a sensação que a mensagem que eu quis transmitir não foi compreendida. O meu “machismo” deixa-me discernimento suficiente para afirmar o seguinte: todos nós de uma maneira ou de outra defendemos a vida. Não discuto quando ela começa e quando ela acaba. O assunto é demasiado delicado para ser tratado neste simples post.

Se me perguntarem se sou contra ou favor do aborto é obvio que tenho a minha opinião, mas ela baseia-se em causas e não na nossa realidade. Em primeiro lugar acho que o aborto deveria ser despenalizado, eu como homem tenho uma intervenção meramente básica e reprodutora. Desenganam-se os meus amigos que pensam o contrário, é claro que esse patamar é sobreposto a outros quando inseridos na sociedade em que vivemos. Esta particularidade redutora não nos tira a importância de sermos pais, somos, quando nos responsabilizamos, tanto na concepção, tanto como na educação dos filhos. Se por acaso a nossa classe política estivesse mais preocupada em educar do que em trazer à baila temas que eles sabem de antemão trazem fissuras no relacionamento entre as pessoas, teriam a coragem de admitir que o tema não tem discussão. Os mesmos que defendem a vida, os mesmos que defendem a não utilização de contraceptivos, deveriam fazer um exame de consciência relativamente à posição extremada que têm. Deveriam antes que tudo de garantir um futuro para aqueles que irão nascer e não uma quantidade enorme de dívidas e dúvidas sobre o que será a sua vida no amanhã. Como pai estou profundamente preocupado, a mãe dos meus filhos obviamente também. A concepção deles foi um acto pensado e reflectido, estavam em causa outros sentimentos também que obviamente pesaram no nascimento deles, mas isso não invalida de que se a determinado momento da sua gestação eu tivesse por exemplo de escolher entre a vida deles e a continuação da vida da mãe, julgo que seria desnecessário perguntar qual delas escolheria. Não estaria a fazer o papel de Deus, estaria apenas a optar entre ter uma mãe para os meus filhos ou ter um filho sem mãe. É aqui, que as opiniões divergem, eu sei, mas os do sexo masculino deveriam sempre, outra vez, de ter em conta que o aborto, quer queiramos quer não é um “problema” no feminino, elas é que deveriam dar a sua opinião. O acto em si é uma opção que nos podemos considerar certa ou errada, nada mais. O acto de legislar pertence aos políticos, gostaria que eles e alguns de opinião contrária, as deixassem a elas como pessoas responsáveis que são, que decidam o seu futuro e o direito de ter ou não ter filhos, que não nos tratem, a nós como futuros e actuais pais, e a elas como futuras e actuais mães, como objectos de uma disputa irracional e sem nexo. Nós sabemos o queremos, portanto temos o direito de as deixar optar. Elas sabem o que querem, deverão de ter o direito de optar. Não é por considerarmos que esse acto como um crime que deixará de se praticar.

No meu post anterior quis apenas atacar a classe política que desde os tempos da outra senhora nos trata como irresponsáveis, incultos, e pior ainda sem o direito a ter opinião. Infelizmente este é o quadro, tanto à direita como à esquerda que nos é apresentado. Não quero fazer disto um panfleto político mas este caso é só mais um para que as nossas atenções deixem de estar centradas no essencial.

Já se perguntaram qual vai ser o nosso futuro? Qual vai ser o futuro dos nossos filhos? Quem é que me manda a mim meter-me nestas discussões? Que pena vai ter o Bibi? O Ferro também é culpado? E o Pedroso? E o Benfica é desta que ganha o campeonato? Quanto é que ganha o Pinto da Costa? E o gestor da EDP? O que é que eu ganho com isto? O Binoc já conseguiu ter sexo? Sexo, o que é isso? Porque é que deram o nome de um gajo russo a um furacão? Afinal quem manda nos EUA? E no Iraque? Quem é que precisa de petróleo? Bush ou Kerry, qual dos ketchups é que escolhia?

“Sorry, this mission is aborted…, try another round…, game over...”

publicado por McClaymore às 13:57
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