Segunda-feira, 26 de Julho de 2004

Pecados velhos, os meus claro...

Qualquer coisa me dizia que devia ter acordado mais cedo, uma delas era o despertador, já tinha tocado seguramente mais de vinte vezes, aquele desenho animado a puxar do martelo para desfazer aquele toque inoportuno já tinha repassado pela minha cabeça todas as vezes que aquela peste electrónica se punha a desbobinar um sinal intermitente. O subconsciente continuava a tentar tirar-me daquele torpor, mas nada feito.

A noite tinha sido longa, os copos também, as noites de pecado na Costa são longas e quentes.

A campainha tocou e eu tacteei uma ou duas vezes para tentar perceber se a Sofia ainda estava deitada ao meu lado, abri uma pálpebra e vislumbrei apenas um bilhete do lado dela que indicava a sua saída. Leria as suas reclamações mais tarde.

Puxei umas cuecas com os pés, do meio da cama e sem tirar os lençóis, vesti-as rapidamente. A campainha continuava a tocar e a retinir na minha cabeça, fazendo um eco enorme como se o corredor que eu percorria nunca mais acabasse. Apenas de trajes menores e completamente absorto no meu letárgico acordar, premi o botão para abrir a porta, quem era o chato que se lembrava de me vir incomodar às onze da manhã. Não lembrava a ninguém. Ouvi bater na porta do apartamento e uma voz conhecida avisou-me que já estava mesmo ali. Mais uma chatice, alguém na próxima reunião de condóminos iria reclamar sobre portas de prédios mal fechadas. Absorto nesta malfada noção, apercebi-me que só estava de cuecas pelo que ao mesmo tempo que abria a porta, retirava-me estrategicamente para o quarto.

O raio do corredor era mesmo comprido, ainda tive tempo de ouvir a voz da minha mãe nas minhas costas:

“- Ó João António, se não te conhecesse, diria que estás a ficar um pouco esquisito. Essas cuecas às florzinhas devem ser moda por cá, não?”

Só ao passar frente ao espelho do quarto e desta vez, já bem acordado, pelas gargalhadas da minha mãe, reparei efectivamente, que o meu gosto por cuecas estava a ficar em decadência, as que usava não eram minhas de certeza, ainda bem que a Sofia não usava fio dental, as explicações sobre o uso indevido de lingerie iriam prolongar-se mais do que o necessário, também, nunca mais ia deixar de dar importância aos bilhetes da Sofia, este dizia apenas:

“Beijos meu Amor. Não te esqueças que hoje chegam os teus pais.

P.S.: Não encontrei as minhas cuecas, passo aí mais tarde para vesti-las.”

publicado por McClaymore às 19:23
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6 comentários:
De Anónimo a 29 de Julho de 2004 às 10:02

vantagem dela : saiu sem cuecas e não aturou os sogros! ... DonBadalo
(http://oblogdalibelua.blogs.sapo.pt)
(mailto:DonBadalo@sapo.pt)
De Anónimo a 29 de Julho de 2004 às 00:58
Que bela imaginação. Porque não escreveres um "romance", ou já começaste?af
(http://manuelinho2004.blogs.sapo.pt)
(mailto:salfig@sapo.pt)
De Anónimo a 28 de Julho de 2004 às 19:12
Olá! Vim retribuir a visita e dei com um blog bem interessante. Não li tudo ( tu escreves muiiiiito e está quase na hora de ir fazer a janta...) ms prometo voltar para ler mais. Beijinho :)**saltapocinhas
(http://fabulas.blogs.sapo.pt)
(mailto:mapsl@sapo.pt)
De Anónimo a 28 de Julho de 2004 às 18:15
Errata: subestimada !!! (detesto erros...) inconformada
(http://palavrasapenas.blogs.sapo.pt)
(mailto:inconformada@sapo.pt)
De Anónimo a 28 de Julho de 2004 às 18:14
A importância de se ler um bilhete nunca deve ser substimada ! :-) Beijo
PS: Espero a publicação das fotos, claro !inconformada
(http://palavrasapenas.blogs.sapo.pt)
(mailto:inconformada@sapo.pt)
De Anónimo a 26 de Julho de 2004 às 21:02
lol....por acaso gostava de ter visto isso...lol...a tua mae nao tirou fotografias??paula
(http://babkowsky.blogspot.com)
(mailto:pau68virgo@hotmail.com)

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